O massacre, a foto e o mundo

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Por Joka Madruga
Terra Sem Males

No dia 29 de abril de 2015 aconteceu o maior massacre do Governo do Paraná contra os trabalhadores de diversas áreas do Estado. Nem jornalistas e professoras foram poupadas. Tiros, bombas, tropa de elite, caveirão, helicópteros e todo aparato da Polícia Militar foram usados contra aqueles que lutavam por seus direitos.

O governo e seus comparsas dizem que eram “só sindicalistas e petistas” que estavam lá. Numa tentativa de desmoralizar e minimizar o que aconteceu. E se fossem? Só porque pensam diferente devem ser massacrados? Mas, o mundo todo viu as imagens e o que ali aconteceu. Uma das imagens foi de minha autoria.

Não celebro o feito de ter uma foto publicada em jornais e sites em mais de 30 países. Pude dizer ao mundo que houve violação dos direitos humanos no Paraná com uma foto. É meu dever como militante e como repórter fotográfico registrar o que houve. E como não acredito em imprensa “imparcial”, eu tenho lado. E é o das trabalhadoras e trabalhadores. Como freelance pago um preço por isto, mas durmo com a consciência limpa.

Mas vamos ao que interessa, que é como consegui fazer esta foto.

Eram umas 14h e eu tinha acabado de enviar umas fotos dos rasantes do helicóptero sobre as barracas dos acampados para a assessoria da APP-Sindicato, pois era o fotógrafo da entidade naquele dia. Eu estava nas pedras que tem no gramado em frente ao Palácio do Iguaçu, sede do governo paranaense. Nem tinha fechado o computador e ouvi o primeiro tiro e a correria começou. Guardei na mochila o equipamento sem desligar. Peguei a câmera e comecei a fotografar as pessoas em minha direção, fugindo dos tiros e da fumaça do gás lacrimogênio. Tentei seguir em frente, mas não resisti ao ardume e à falta de ar.

Uma estudante me socorreu molhando meu lenço com vinagre, o que me fez melhorar. Recuei um pouco. Fiz mais fotos do povo. Algumas professoras sendo carregadas, desmaiadas. Novamente tento ir mais próximo do tiroteio, sempre com a máquina na mão fotografando o que conseguia. Só que o vento trazia o gás para onde estava. Recuei novamente e dei a volta no Palácio das Araucárias, onde ficam diversas secretarias de governo.

Quando cheguei na rotatória, consegui me aproximar mais, pois o vento levava o gás para o outro lado. Quando olho para trás, vejo um caminhão, o “Tremendão”. Vou até ele, onde havia uma visão ampla de tudo que estava acontecendo. Alternava entre as lentes objetivas grande angular e meia tele.

Ainda em cima do veículo, o Rodolfo Buhrer, fotógrafo da agência Reuters, me liga. “Preciso de cinco fotos do que aconteceu”, me disse. Parei de fotografar, sentei e comecei a selecionar. Com as mãos tremendo por causa da adrenalina toda. Separei as imagens e mandei para o e-mail dele. Menos de uma hora depois as imagens já estavam no site da agência e circulando pelo mundo.

Esta foto também foi pôster da segunda edição do Jornal Terra Sem Males, que você pode conferir aqui. E para ver alguns sites e jornais que publicaram ela, clique aqui.

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