O Paraná Clube não pode compactuar com o jogo da FPF e da TV Globo

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Por Marcio Mittelbach
Terra Sem Males
Foto: Marco Aurelio Souza

Os paranistas ficaram perplexos com uma nota oficial lançada após a não realização do atletiba de domingo, 19/2. De maneira indireta, a direção do Paraná Clube se colocou do lado da Federação Paranaense de Futebol – FPF -, que impediu que a partida ocorresse devido à falta de credenciamento dos profissionais que fariam a transmissão independente.

É inadmissível que o Clube tenha um posicionamento tão pequeno. O credenciamento foi o álibi encontrado pela FPF para impedir que o atletiba fosse transmitido. Foi a vingança da TV Globo e da Federação diante do boicote da dupla atletiba, que se negou a receber R$ 1 milhão enquanto clubes do interior de São Paulo vão receber R$ 3 milhões.

Se a situação financeira nos impede de abrir mão dos míseros R$450 mil que nos pagam, a diretoria poderia se reservar ao direito de permanecer calada. Ficar do lado da Federação só porque momentaneamente estamos em todas as transmissões é um erro grave. Não é hora de pensar no próprio nariz. É hora de pensar em fortalecer o futebol do Estado e acabar com as injustiças nas divisões das verbas.

Boa parte das dificuldades que o Paraná enfrenta hoje vem da divisão das cotas de TV. Permanecemos mais de uma década na elite do futebol recebendo muito menos que os clubes do eixo Rio-São Paulo. Na Série B a mesma coisa: recebemos exatamente a mesma verba que os clubes que sobem da Série C, por exemplo. A Federação nunca moveu grandes esforços para mudar essa realidade.

Mais acertado seria o tricolor se juntar àqueles que querem o fim do monopólio e o fim da partilha desigual das cotas de TV. Só para se ter uma ideia, o Paraná Clube recebe hoje cerca de um sexto da verba do Mirassol, que disputa a primeira divisão do Campeonato Paulista. A mesma TV Globo que paga R$ 8,8 milhões pelo Paranaense é a que paga R$ 160 milhões para o campeonato paulista. 

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