O que está por trás do porto na Ilha do Mel

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Segundo ponto turístico mais visitado do Paraná, a Ilha do Mel está em meio a uma grande discussão. Trata-se da possível construção de um porto privado no município de Pontal do Paraná. O porto ficaria a três quilômetros da Ilha, separado apenas pelas águas da baía de Paranaguá.

Para que esse porto possa ser viável, e os caminhões cheguem até lá sem afogar a PR-412, é necessário uma estrada de 18 km que ligue o balneário de Praia de Leste a Pontal do Sul. O governo do Estado encampou a empreitada e viabilizou um empréstimo de R$ 369 milhões para a construção.

Mesmo se tratando de um projeto que vai colocar abaixo 500 hectares de Mata Atlântica, a obra já conta com a autorização do IAP – Instituto Ambiental do Paraná.  Também existe a autorização do Conselho de Desenvolvimento Territorial do Litoral – CDTL – que aprovou a obra em uma sessão bastante contestada realizada no dia 20 de novembro do ano passado.

Discussão – Neste momento estão estabelecidos dois lados: o poder público, na figura do Estado do Paraná, da Prefeitura de Pontal do Paraná e da Associação Comercial do município, que já preparam a licitação para tocar a obra da estrada. E do outro lado os ambientalistas e pesquisadores da UFPR, que alertam que a estrada e por consequência o porto vão causar enormes prejuízos ambientais e inviabilizar o turismo na Ilha do Mel. Confira argumentos dos dois lados:

Economia

Favoráveis – Ainda que o porto seja particular, os gestores alegam que o negócio vai ajudar a aquecer a economia local, gerando empregos diretos e indiretos. Por receber navios maiores, o porto colaboraria com a produção nacional.

Contrários – Existem alternativas para o desenvolvimento econômico da região como o investimento mais maciço no turismo. Já existe um porto em Paranaguá que causa sérios problemas para população. O IDH – Indice de Desenvolvimento Humano – de Pontal hoje, sem porto, é maior que o de Paranaguá.

Meio ambiente

Favoráveis – Os ganhos econômicos justificariam as perdas ambientais. Sobre o turismo na Ilha do Mel, alegam que já existe tráfego de navios ao lado da Ilha e ampliação dessa movimentação não traria problemas.

Contrários – Derrubar 500 metros de Mata Atlântica é algo inaceitável diante da pequena reserva que restou. Tanto a obra da estrada como a obra do porto vão comprometer a vida dos animais que vivem na região, além de impactar negativamente na paisagem.

Política

Favoráveis – O dono do terreno onde pode ser construído o porto, João Carlos Ribeiro, é aliado histórico do governador Beto Richa, o que de certa forma justifica a agilidade no processo. Empresas poderosas como a Odebrecht têm interesse na obra. A Associação Comercial de Pontal do Paraná lidera a campanha “estrada já”, que trata o projeto como a salvação econômica do município.

Contrários – Comunidades que serão diretamente atingidas como índios e pescadores reclamam não ter sido ouvidos. Ongs que atuam em defesa do meio ambiente e professores da UFPR lideram o movimento “Salve a Ilha do Mel”, que recolhe assinaturas para tentar impedir o avanço do projeto.

Conheça a campanha http://salveailhadomel.com.br/

Por Marcio Mittelbach
Terra Sem Males

Foto: Joka Madruga

3 comentários em “O que está por trás do porto na Ilha do Mel

  • 9 de fevereiro de 2018 em 21:28
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    Kika, uma correção, são 500 hectares. 5 milhões de metros quadrados.

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  • 21 de fevereiro de 2018 em 20:39
    Permalink

    Gostaria de saber pq não barraram a construção do Porto, que começou há anos?
    Sem porto não precisariam de estrada. O que adianta reclamar agora se o Reizinho Rocha já deu o aval?

    Resposta

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