Opinião: Deem nome aos bois

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Palácio Avenida: sede do HSBC Brasil. Foto: Joka Madruga.

O que parece ser uma pergunta retórica, mas ninguém faz: onde está o dinheiro do banco HSBC Brasil? E a resposta parece ser: nessas contas secretas da Suíça? Em outros tantos países que acusam o banco de favorecer o tráfico de drogas, a lavagem de dinheiro, o terrorismo?

O HSBC é considerado o segundo maior banco do mundo. Já no Brasil, nunca deixou de ser o sexto maior, atrás de Itaú, Bradesco, Santander e até mesmo dos dois públicos, Caixa e Banco do Brasil. Mais que isso: o HSBC Brasil nunca chegou perto dos demais quando divulga seu lucro líquido anual. Em 2014 por exemplo, a variação do lucro líquido dos outros cinco bancos foi de R$ 7,1 bilhões (Caixa, que é responsável por políticas sociais e possui taxas mais baixas) a R$ 20,6 bilhões (Itaú).

E o HSBC? apresentou prejuízo líquido de R$ 549 milhões em 2014. Sendo que fechou 2013 com lucro de R$ 411,4 milhões. Por onde escorreu quase um bilhão de reais no período de um ano?

De acordo com levantamento do Dieese, as Operações de Crédito cresceram 5,7% (R$ 66,1 bilhões); as operações com pessoas físicas cresceram 3% (R$ 20,4 bilhões); as operações com pessoas jurídicas cresceram 7% (R$ 45,7 bilhões). E os índices negativos diminuíram: o Índice de Inadimplência superior a 90 dias apresentou redução de 0,3 p.p., ficando em 3,9% no ano; as despesas com provisões para créditos de liquidação duvidosa (PDD) foram reduzidas em 17,3%, atingindo um total de R$ 3,1 bilhões.

A única justificativa para o prejuízo, observada pelo Dieese, é um crescimento de mais de 55% nas despesas de captação no mercado (em números absolutos, um montante de mais de R$ 3 bilhões). 

Eu tenho essa preocupação porque sou jornalista no Sindicato dos Bancários e tenho um pouco de noção (bem pouco) de serviços prestados (ou que deveriam ser prestados) pelos bancos, do número de funcionários, de clientes, de agências pelo país. E nessa escala dos “seis maiores bancos que atuam no país” está simbolicamente o HSBC, que não é inferior aos demais nesse quesito. Apenas no balanço anual.

Banco é concessão pública. Cadê a fiscalização do governo federal? Banco é submetido às regras do Banco Central. Tem alguém lá preocupado com as declarações do presidente do HSBC Brasil, que faz os funcionários pensarem que vai fechar, vai vender, não tem mais jeito? Não, estão todos aturdidos com a lista secreta da Suíça, vazada dolorosamente aos pingos. São nomes que eles querem? Eu quero que deem nomes aos bois.

Por: Paula Padilha
Terra Sem Males

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