Penúltimo Capítulo – FUTEBOL SEM TEMPERO, MAS O PAÍS TEM GOSTO

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PARTE FINAL

 ::Capítulo IX (Penúltimo) – Corredor da morte

– Olha, meu amor, acho que uma tragédia foi anunciada.

– Como assim, Zaca? O quê tá pegando? – perguntou curiosa ‘minha nega véia’.

– Tim e Tião vão se matar por causa de uma mulher.

– Comé que é?

– É isso. Só sei que é isso…

– Não é possível, você tá exagerando…

– To não. Olha só… lembra aquela garçonete que te disse esses dias atrás… uma que tava querendo jogo comigo? – ela confirmou com a cabeça. Segui: “ela seduziu Tim e Tião. Agora os dois gostam dela. O problema é que Tim pegou os dois no flagra e as coisas estão fora do controle”.

Minha esposa ficou furiosa. Queria saber detalhes. Eu disse quase tudo sobre Cat Blake.

– Quando ela deu em cima de mim quase me perdi, mas aguentei firme. Juro pra você, Cat Blake é linha dura, não desiste. Deve saber que eu, Tim e Tião tocamos o negócio juntos. Sabemos do dinheiro. Só por isso que ela tentou colar na minha. Sabe, amor, eu até sei onde escondemos as coisas, então acho que é por isso que meus dias estão contados.

Minha esposa chora.

Deixei claro que o pior está por vir.

– Dessa noite não passo. Hoje deve ser o acerto!

– Então não vai!

– Eu tenho que ir. Tião pediu. Além disso, nosso dinheiro tá lá escondido. Se eu não for, aí sim que Tião começa a me caçar igual tá fazendo com o próprio irmão.

– Tudo isso por causa dessa mulher?

– Sim…

Peguei uma das minhas pistolas e deixei com ela.

– Fique com isso. É bem capaz que a Cat Blake venha atrás do nosso dinheiro. Se ela me pegar, nunca vai descobrir o paradeiro das nossas paradas e pode vir na nossa casa achando que a grana está escondida aqui. Ela pode imaginar que você sabe onde escondemos.

Fui trabalhar…

Agora Tim e Tião estão mortos, Bigode entra no bar após matar Tim pelas costas e diz:

– Intão Cats Brake, u quê vamo fazê com esse que sobrô – e olhou pra mim.

Só penso na minha mulher: “será que ela vem?”.

– Bigode, me dê à arma, volta pro táxi e cuida pra que ninguém venha xeretar aqui no bar.

Ela me leva pro depósito. O que antes era o caminho para o sexo, agora parece o corredor da morte.

– O que você tá fazendo sua doida? – pergunto.

Tomo uma porrada na nuca. Minha queda é cinematográfica, nem Neymar faria melhor. Finjo sentir muita dor.

– Cuidado! – digo desesperado. “Sou velho, porra. Se quer me matar, mata logo”.

Cat Blake amarra minha mão. Sento no mesmo lugar que dias atrás ela sentou no meu pau. Dessa vez tenho uma arma apontada pra minha cabeça. A filha da puta passa a pistola entre minhas pernas, no meu saco…

– Desse jeito fico excitado…

– Acho que o melhor sexo da minha vida foi com você, seu velho tarado – disse Cat Blake.

– Não sou tarado, você que é – respondi e já levei uma porrada na cara.

Eu estava pra morrer e ainda assim só pensava em sexo. Olhava pra ela e só pensava em transar…

Mas Cat Blake cortou meu barato.

– Cadê, Zaca?” – perguntou.

– O que você quer saber senhorita que nunca gozou? Aliás, senhorita que só gozou na mão de um velho morto como eu – respondi.

Levei mais uma coronhada na testa. O sangue escorre.

– Tião me disse que vocês colocam o dinheiro das ‘parada’ num esconderijo aqui no bar. Melhor falar alguma coisa, você ainda é útil… ainda.

Sabia que tudo aquilo era uma grande besteira. Mesmo que Tião tivesse falado algo, ele está morto. Essa imbecil jamais vai encontrar a grana. A questão é a seguinte: como vou sair vivo desse jogo.

– Conta logo filho da puta – grita Cat Blake.

Levo mais umas porradas. Estou na merda.

– Sua vagabunda, manda logo uma bala na minha cabeça…

Então escuto um disparo. É lá fora.

– Bigode! – diz Cat Blake. E corre pra ver o que aconteceu.

“Minha nega!”, penso comigo.

Mais disparos.

Consigo me levantar. Olho por uma janelinha lateral e vejo Bigode caído ao lado do seu táxi. “Tá morto”…

Cat Blake retorna subitamente ao depósito e me pega de surpresa. Dá tempo pra eu avistar um vulto da janelinha: “será minha nega?”, penso. O problema é que aquela lunática estava sozinha, insegura, chapada e com uma arma apontada pra mim.

Escuto mais um barulho, dessa vez parece ser da porta dos fundos do depósito. Agora tenho certeza que é minha mulher. Ela está usando a chave reserva que deixo lá em casa.

Mas eis o grande problema: Cat Blake não sabe o que fazer e é isso que me assusta. Ela é mais imprevisível que a Marta driblando…

 

Por Jornaldo.

Leia Capítulo VIII.

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