PERFIL | “Não sei porque tanto ódio de um homem que só fez bem para o povo”

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Malvina Joana Lima, aposentada de 66 anos, está acampada em Curitiba desde o dia que Lula é mantido preso na Sede da Polícia Federal

Malvina se identifica como petista militante e pode ser vista desde a primeira semana da Vigília Lula Livre circulando entre as tendas, a Casa da Democracia, a Praça Olga Benário e o Acampamento Marisa Letícia, instalações constituídas pelas caravanas de apoio ao ex-presidente Lula e que estão concentradas na região da Sede da Polícia Federal, em Curitiba, desde o dia 07 de abril.

Naquela data, Lula estava há três dias cercado por apoiadores na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, em São Paulo, desde que saiu a decretação de sua prisão. Ele foi então caminhando, junto ao povo que formava um mar de gente, até o helicóptero que o desembarcou em Curitiba, onde permanece como preso político.

E Malvina também estava lá, em São Bernardo. O tempo que demorou para se juntar ao acampamento recém formado foi o do trajeto em uma das caravanas. Mas ela contou ao Terra Sem Males que já é a quarta vez que vem a Curitiba, contando com os dias que Lula vinha depor. “A minha família é o PT. Se eu vivo, se eu sou reconhecida como cidadã, eu devo ao PT. Tudo que eu sou na vida hoje foi através do partido e da minha luta. Eu estive com Marisa no hospital. Eu sempre acompanhei Lula desde 1979. Na greve de São Bernardo, eu estive lá”.

A aposentada conta que tem 66 anos e que iniciou a graduação em Pedagogia aos 50, viabilizada pelos programas de financiamento estudantil mantido nos governos Lula e Dilma. Em seu relato, mencionou o sofrimento da Presidenta eleita Dilma Rousseff, cita com respeito Marisa Leticia, esposa de Lula que faleceu em 2017, e disse que saiu do dormitório da casa da democracia e foi se instalar no Acampamento Marisa Leticia, muito mais distante da Vigília, em nome do legado que ela deixou.

Sua rotina na Vigília Lula Livre, de dar bom dia, boa tarde e boa noite ao presidente diariamente também segue as escalas colaborativas do acampamento e vigília. “Eu vou para a cozinha, eu faço almoço, seguindo a escala. Eu atendo as pessoas, oriento quem chega nas caravanas. Eu tenho muito o que fazer aqui e eu espero sair com Lula”.
Ao falar com devoção sobre Lula, cita episódios de sofrimento de sua vida, como a morte da mãe, quando ele estava preso na ditadura; o câncer de garganta; a hipertensão. Denuncia o tempo que ficou sem autorização de visita de rotina dos médicos e atribui essas deliberações da justiça ao ódio.

“Não sei porque tanto ódio de um homem que só fez bem para o povo. Eu não sei se ele não fez muito bem para o Moro, para a família do Moro. Mas eu tenho certeza que quando ele fez bem para o pobre, ele fez muito mais para o rico. Porque quando o pobre melhora a vida, o rico não é atingido em nada. Ele melhora mais, ele gasta mais, ele viaja mais. Mas eles não têm essa noção”, disse Malvina, 68 anos, mais de 50 deles acompanhando o ex-presidente Lula.

Por Paula Zarth Padilha
Foto Joka Madruga
Terra Sem Males

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