Professores do Paraná mantêm mobilização em alta após 15 dias de greve

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Acampamento da greve dos professores, no Centro Cívico. Foto: Joka Madruga.

Curitiba – A greve dos professores estaduais do Paraná entra hoje (23) no 15º dia e ainda não se sabe ao certo quando o ano letivo terá início. Após as negociações da última sexta-feira (20), em que o movimento conquistou avanços importantes, mas sem fechar um acordo definitivo, o acampamento permanente de protesto, em frente ao Palácio Iguaçu, sede do governo estadual, manteve-se movimentado durante o fim de semana, com atividades culturais e debates, e assim deve persistir até que se encontre uma solução para a queda de braço entre professores e governo.

Reunido durante praticamente todo o sábado na sede da APP Sindicato, em Curitiba, o conselho da entidade que representa os professores estaduais paranaenses manteve a paralisação por tempo indeterminado e convocou para a quarta-feira (25) um grande protesto com o objetivo de pressionar o governador, Beto Richa (PSDB), a atender às reivindicações dos profissionais do ensino.

No decorrer da última semana, o governo paranaense cedeu em pontos importantes: prometeu pagar nesta terça-feira R$ 82 milhões em indenizações devidos a cerca de 29 mil professores temporários e comprometeu-se a retomar o porte das escolas de dezembro de 2014, retomando o número de professores e funcionários do fim do ano passado. A categoria também conseguiu do governo Richa reempossar mais de mil professores e pedagogos concursados que chegaram a assumir seus postos no ano passado e foram dispensados dias depois.

O governo, porém, insiste em pagar em duas parcelas (uma em março e outra em abril) os terços de férias devidos aos professores efetivos e que deveriam ter sido pagos originalmente no fim do ano passado. Os professores, enquanto isso, tentam reverter o cancelamento das licenças-prêmio e do programa de aperfeiçoamento profissional dos educadores e garantir a implementação das promoções e progressões que não foram efetivadas no ano passado.

Estes e outros pontos ainda sem acordo entre governo e professores devem ser discutidos em uma terceira rodada de negociações aguardada para o início desta semana, mas até o momento sem dia e horário definidos.

Os professores exigem também uma auditoria na dívida do Estado e a revisão das alíquotas de repasse ao Judiciário e a órgãos como o Tribunal de Contas do Estado (TCE), cujos conselheiros decidiram em causa própria na semana passada pelo pagamento de mais de R$ 4.300 por mês em auxílio-moradia. Os 20 conselheiros, auditores e procuradores do TCE-PR já recebem mais de R$ 20 mil por mês em salários.

Independentemente dos rumos do movimento, sabe-se que o futuro dos fundos de previdência dos servidores públicos do Paraná será discutido em 3 de março, numa reunião entre o secretário-chefe da Casa Civil de Beto Richa, Eduardo Sciarra, e o Fórum dos Servidores, segundo o presidente da APP Sindicato, Hermes Leão.

 

Ricardo Gozzi
Rede Brasil Atual

 

Saiba mais: Curitiba: professores resistem a desmanche da educação pública

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