Protestos ignoram pauta dos trabalhadores

Colabore com o jornalismo independente, compartilhe.

1 – Se os protestos desse fim de semana pudessem ser classificados em uma canção, diria que é um “Samba de uma nota só”. Por mais que se esforcem em dar um caráter popular às reivindicações, a verdade é que a turma cheirosa das ruas é aquela do “Um cantinho, um violão/Esse amor, uma canção/Prá fazer feliz/A quem se ama…” enquanto o pau torava na Ditadura ou agora na luta pela manutenção de direitos.

2 – Mais do que um sambinha, os protestos atuais estão mais vulgarizados. Estão mais para um batidão a lá funk sem muita criatividade. Repetem excessivamente: “Fora Dilma, Fora Dilma, chega de corrupção, para ra ti bum”. Porque se fosse um rap, um rock, teria em seu repertório mais elementos, nos arranjos se perceberia o contexto a volta além da micareta acelerada. Na letra, se citaria a corrupção na Receita Estadual do Paraná, da agressão aos servidores estaduais, a falta de ganho real, o aumento da cesta básica, do ICMS, da conta de luz e água, a máfia do transporte, entre outros.

3- Por isso, embora a parada de sucesso cole que nem chiclete, o trabalhador não deve entrar nesta dança. O seu gingado deve ir à direção de suas pautas históricas, que são o combate à terceirização, a realização de concurso e a melhoria dos serviços públicos, o fim do financiamento privado de campanhas, que estimula a corrupção, entre outros.

4 – A dança do trabalhador é a cantiga de roda. É o samba da contestação. É o “Coração na boca, o Peito aberto, é ir sangrando em direção as lutas dessa nossa vida”.  Tudo de forma alegre e colorida. Luta de luto contra a opressão das minorias, de roxo pelo feminismo, arco-íris pelo movimento LGBT, do preto do movimento negro, do vermelho pelos sem tetos e sem terras, entre outros. A partitura dos trabalhadores traz todas as canções e cores esquecidas no protesto descolorido de verde e amarelo. E essa manifestação diversificada e inclusiva será apresentada no dia 20 pelo Brasil. É nela, com a pauta esclarecida, que o trabalhador deve dançar. Senão, em breve, é ele quem fica de fora da dança.

Por Manolo Ramires
Terra Sem Males

anuncio-tsm-posts

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *