Queda do PIB demonstra que medidas neoliberais do governo Temer não promovem crescimento da economia

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Produto Interno Bruto (PIB) é indicador de crescimento econômico de um país. Queda em 2016 foi de 3,6%

Por Paula Zarth Padilha
Gráfico: IBGE

Terra Sem Males

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta terça-feira (07) que o Produto Interno Bruto (PIB) fechou o ano de 2016 em R$ 6,3 trilhões, que representa queda de 3,6% em comparação com o ano anterior. No ano marcado pelo golpe e pelo governo neoliberal de Temer, a taxa de investimento também foi reduzida de 18,1% (em 2015) para 16,4% do PIB. A variável mais importante na economia é o investimento.

Os dados divulgados pelo IBGE sobre a atividade econômica também demonstram queda de desempenho nas atividades características do Brasil, como o agronegócio forte e o sistema financeiro forte. As três atividades que compõem o PIB tiveram redução de desempenho: agropecuária (-6,6%), indústria (-3,8%) e serviços (-2,7%). A indústria de transformação teve queda de 5,2% no ano. A construção sofreu contração de – 5,2%, e a extração mineral recuou de – 2,9%. Os demais setores potenciais empregadores do país também tiveram queda: comércio (-6,3%), outros serviços (-3,1%), serviços de informação (-3,0%) e intermediação financeira e seguros (-2,8%).

A queda no setor de construção, de acordo com avaliação do IBGE, também teve como consequência a queda da produção do mercado interna e da importação de bens. A despesa de consumo das famílias caiu – 4,2% e as causas são juros alto, falta de acesso ao crédito, baixas taxas de emprego e renda  em todo o ano de 2016. A redução da despesa do consumo do governo federal caiu 0,6% e também contribuiu para o PIB negativo.

Apesar dos índices negativos para os indicadores da economia, o governo Temer insiste no discurso da retomada do crescimento para justificar medidas neoliberais restritivas para a população. O Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, continua afirmando que com as medidas neoliberais “as expectativas são de que já no primeiro trimestre deste ano o país volte a crescer”. O governo continua se pautando pelas demandas do mercado financeiro, que prevê crescimento do PIB em 2017 e 2018 .

Os tais sinais de melhora da economia são bem claros: manutenção de juros altos (e “atrativos” para quem ganha mais dinheiro com o mercado financeiro do que com a produção, que geraria emprego e bens de consumo) e manter a inflação baixa a todo custo. O problema é a “ferramenta” neoliberal para promover o crescimento econômico sob esses dois fatores: a elevação do desemprego e o corte no acesso ao crédito para frear o consumo alto e assim controlar a inflação.

De 2003 a 2014, nos anos de governo Lula-Dilma, o crescimento econômico do país esteve aliado à redução da desigualdade e da pobreza, utilizando a ampliação do mercado de consumo (commodities) e a popularização do acesso ao crédito. Para Temer, o país vai crescer. Mas às custas do emprego da população, da restrição ao crédito e de um mercado que só favorece as elites.

O desemprego cresceu 40% de julho de 2015 a julho de 2016 mas a situação ainda não tinha chegado nos patamares de 2003, quando Lula assumiu. Atualmente, o país apresenta 40 milhões de trabalhadores em situação vulnerável e 12 milhões de desempregados.

 

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