Reitoria da UFPR nega pauta de estudantes e plenária decide rumo da ocupação

Colabore com o jornalismo independente, compartilhe.

A ocupação da reitoria da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, entrou no segundo dia nesta quarta-feira, 11 de abril. De acordo com relato de um dos estudantes, que estão organizados na Frente de Apoio à Luta dos Trabalhadores e Trabalhadoras Terceirizados (FALTT), e que pediu para não ser identificado, depois da ocupação, o processo de organização da resistência foi iniciado e uma plenária decidiu as pautas principais do movimento:
a reintegração imediata dos trabalhadores; a readequação dos salários dos auxiliares de cozinha, que foram reduzidos de R$ 1.187 para R$ 1.100; e o reajuste do valor do vale alimentação, que de R$ 330 foi reduzido para R$ 191. A pauta também inclui o fim do desvio de função dos trabalhadores da cozinha, contratados como auxiliares e que desempenham funções de cozinheiros.

Conforme o Terra Sem Males divulgou na terça, ao acompanhar a ocupação, os estudantes da FALTT se mobilizam pelos funcionários terceirizados do Restaurante Universitário.

“É consciente do movimento a situação que se encontram os trabalhadores da cozinha do RU e é muito importante isso ficar claro, que não estamos aqui por diversão ou pra fazer balburdia”, afirmou.

A pró-reitoria chamou os estudantes da ocupação para uma reunião ainda pela manhã, mas de acordo com o estudante, os representantes da Universidade negaram a possibilidade de atender a pauta solicitada por estar em andamento uma negociação mediada pelo Ministério Público do Trabalho. “A proposta que fizemos é de que a universidade tomasse medidas administrativas internas pra resolver a reintegração. Que tivesse ciência das demissões e fiscalizasse os motivos. E exigir a recontratação dos trabalhadores por medidas administrativas em vista da motivação política da demissão. Ou para que a universidade observe as condições do RU para a justificativa das demissões”, disse. “Queremos medidas administrativas paralelas às ações no MPT”.

A proposta da FALTT não foi acatada pela reitoria. Às 21h desta quarta, os estudantes vão deliberar em plenária se vão ou não desocupar a reitoria, que teria montado uma comissão para vistoriar o processo de desocupação.

Durante a reunião também foi debatido o histórico de tentativas de negociação da FALTT com a UFPR, em que o estudante afirmou que sempre houve abertura de diálogo, mas esse diálogo nunca funcionou. “Nunca houve qualquer mudança em prol dos trabalhadores a partir do diálogo”.

O representante da FALTT também contextualizou que após uma greve em 2017, a universidade multou a empresa terceirizada e a empresa retirou todos os direitos dos trabalhadores conquistados com a greve, que foram o vale alimentação e os dias descontados no período de paralisação.

Na reunião, os representantes da reitoria teriam dito aos estudantes que houve a concordância por parte da universidade que o movimento é legítimo mas afirmaram que seria necessário desocupar imediatamente o prédio porque se não não seria possível realizar os pagamentos dos trabalhadores terceirizados. Ao citar os contratos entre universidade e empresa, os estudantes argumentaram que a desocupação não pode ser motivada por empecilhos administrativos e sim por pressão da universidade.

Na próxima sexta-feira, 13 de abril, às 18h, a FALTT promove aula pública na escadaria da UFPR, na Praça Santos Andrade, sobre a terceirização na universidade.

Saiba mais:
Estudantes ocupam reitoria da UFPR, em Curitiba, em defesa de terceirizados

Por Paula Zarth Padilha
Foto: Annelize Tozetto
Terra Sem Males

Um comentário em “Reitoria da UFPR nega pauta de estudantes e plenária decide rumo da ocupação

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *