Representatividade plural marca ato contra a Reforma Trabalhista

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Curitiba teve um dia quente e ensolarado após semanas de uma primavera fria e cinzenta. E nesta sexta-feira, 10 de novembro, milhares de trabalhadores de diversas categorias, homens e mulheres engajados nos movimentos sociais e sindicais, coletivos que pautam mobilizações pela igualdade, em defesa da diversidade e participantes de frentes populares se uniram em um ato que parou a Boca Maldita, no centro de Curitiba, em pleno sol de meio dia.

O recado desse mar de gente, que poderia ser maior, bem maior, era principalmente a insatisfação com os retrocessos impostos pelos parlamentares que aprovaram a Reforma Trabalhista a mando do governo golpista de Michel Temer. “Se todos estivessem cientes do que vai acontecer em suas vidas a partir de amanhã, quando a nova legislação entrar em vigor, o calçadão da Rua XV seria insuficiente para tanta gente protestando”, falou Elias Jordão, presidente do Sindicato, em cima do caminhão de som do ato.

Para ele, ainda tem muita gente que não sabe que as alterações na legislação trabalhista não vão ampliar a oferta de empregos, mas sim precarizar, e muito, a situação de trabalho (e de remuneração) de quem já está trabalhando com carteira assinada. Nos bancos, algumas mudanças já são perceptíveis, não nos benefícios conquistados ao longo dos anos através de muita greve, muita mobilização e enfrentamento aos banqueiros, mas na rotatividade no setor, que já demonstra sinais de ter se modificado.

Enquanto nos bancos públicos a postura do governo é fechar vagas, com planos de incentivo à aposentadoria e implantação unilateral de processos de reestruturação visando somente a redução de custos, nos bancos privados as demissões atingem níveis alarmantes e os processos de seleção para novas contratações já estão sendo feito via empresas terceirizadas, que não inserem os novos contratados, que vão realizar serviços de bancários, na CCT da categoria.

urante o ato, todas as pessoas que se prontificaram a subir no caminhão de som puderam falar aos manifestantes. Gente de todos os sindicatos, de todas as centrais, de todas as idades, de todas as opiniões e formas de mobilização. Militantes, ativistas, pessoas comuns, que passavam pela famosa calçada. Juventude, mulheres, LGBTI. Quem não quis subir, levantou uma placa, um cartaz, uma bandeira, com todas as cores, vestiu uma camiseta, encorpou uma luta coletiva em nome de todos aqueles que neste dia tiveram que continuar trabalhando.

As mobilizações neste Dia Nacional de Paralisação começaram cedo em Curitiba. O Sindicato dos Bancários e Financiários amanheceu em frente ao Bradesco Palácio Avenida e seguiu, durante a manhã, distribuindo material impresso, fazendo panfletagem, conversando com os trabalhadores na entrada das agências.

“Eles acham que terminou, mas se estivermos continuamente nas ruas, poderemos mudar esse quadro negativo”, finaliza Elias Jordão.

Saiba mais: Dia de Paralisação começa com ato de bancários no Palácio Avenida

Por Paula Zarth Padilha
Foto Joka Madruga/SEEB Curitiba

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