Roda de Conversa: discurso de ódio sempre foi marginal e se adaptou a práticas políticas

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Tema de outubro, discurso de ódio teve a mediação de Renato Freitas, advogado e ativista das periferias em Curitiba

Na noite de terça-feira, 30 de outubro, o Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região realizou mais uma edição da Roda de Conversa, encontro mensal aberto à comunidade, para debate de temáticas escolhidas pelos participantes.

Para mediar a reflexão sobre o discurso de ódio, o Sindicato convidou o advogado Renato Freitas, que tem origem periférica e surgiu como liderança política ao denunciar violência e racismo, que ele mesmo sofreu em duas oportunidades enquanto esteve em campanha: primeiro em 2016, enquanto candidato a vereador, quando foi detido pela guarda municipal de Curitiba, e mais recentemente em 2018, quando foi alvejado com balas de borracha, por membros da mesma corporação, enquanto fazia campanha para sua candidatura a deputado estadual.

Renato Freitas situou o discurso de ódio como recente prática política e institucional, mas que historicamente sempre foi discurso marginal, “um sistema subterrâneo de solução de conflitos”. Ele explica que ódio e violência sempre foram muito próximos e que o aparelhamento estatal, representado pelas polícias, funciona para legitimar o ódio através da coerção, gerando uma incompatibilidade: “o Brasil ser o país mais violento do mundo não resulta no repasse de informações necessárias para se efetivar uma estratégia de combate à violência”, define.

Para ele, a violência e as consequentes mortes não são aleatórias, são nas quebradas. “Existe uma porta giratória entre a prisão e a quebrada, onde o Estado é mínimo na economia e nas políticas sociais mas a presença do estado no braço penal é forte”, diz. Renato retomou estudos que se referem às periferias brasileiras como “campos de extermínio” e que o RAP e os intelectuais orgânicos denunciam isso há tempos.

Diante dessa lógica, em que a polícia nas periferias é efetiva para crimes como o tráfico e o roubo, mas que mantem uma taxa baixa de solução de homicídios (ele menciona que a cada 100 homicídios, a média é de somente 5 solucionados), “você não precisa propor saúde e educação como política pública, mas sim resolver o medo criado”, e esse caráter se resume ao conceito de “segurança pública”.

Renato abordou também o preconceito geográfico com a favela e explicou que para entender o fenômeno do ódio no país é preciso entender o bordão “bandido bom é bandido morto”, apropriado pelo presidente eleito Bolsonaro e que “unifica boa parte do país”. Para ele, a atuação da imprensa com a proliferação de programas policiais em que a falta de necessidades básicas e menos retratada que a violência, influencia o imaginário social, que também é reforçado por outros programas televisivos, como as novelas, que reforça o estereótipo do jovem negro “da rua de trás”.

Esses elementos, para Renato, formam a concepção que resultam no estabelecimento do fascismo neste momento.

Encarceramento

O convidado sugeriu que o próximo tema, do encontro em novembro, seja o encarceramento, e será realizado no dia 27, a última terça-feira do mês. Renato explicou que o perfil da pessoa presa e morta no Brasil é o homem jovem, negro, de periferia e com o ensino fundamental incompleto, em que no país há captura e vigilância eficaz, denotando racismo forte no país.


Fonte: FETEC-CUT-PR

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