Sábado chuvoso em Curitiba não dispersa a mobilização em defesa de Lula

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O Acampamento Lula Livre, instalado após o perímetro de isolamento da Polícia Federal, local em que o ex-presidente está preso em Curitiba, foi de muita movimentação neste sábado, 14 de abril, em um dia que amanheceu chuvoso e frio, após uma semana de dias ensolarados na cidade.

Acampamento #LulaLivre em Curitiba-PR. 14/04/2018. Foto: Joka Madruga/ Agência PT

A manhã começou sob tensão, com a divulgação pelo site da Prefeitura de Curitiba da imposição judicial de uma multa de R$ 500 mil por dia em que o Acampamento Lula Livre permanecer nas ruas do bairro Santa Cândida. Até a manhã deste domingo, 15, o boletim informativo do Comitê Popular em Defesa de Lula e da Democracia divulgou que o acampamento ainda não havia sido notificado, que as entidades PT, CUT e demais movimentos sociais receberam a notícia com indignação e que a presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann afirma “que todas as medidas jurídicas estão sendo tomadas e que há negociações para garantir o direito democrático à manifestação”.

Acampamento #LulaLivre em Curitiba-PR. 14/04/2018. Foto: Joka Madruga/ Agência PT

A agenda de mobilizações manteve-se fortalecida desde cedo, com duas manifestações em memória de Marielle e Anderson, executados há um mês no Rio de Janeiro, com ruflar de tambores pela manhã e no final da tarde.

Tambores para Marielle e Andreson. Foto: Lia Bianchini

Durante o dia, diversos atos políticos, culturais, artísticos e de mobilização aconteceram livremente, como atrações para crianças, roda de samba, música militante, manifestações religiosas de diversas crenças, a participação ativista LGBTI, depoimentos formativos.

Acampamento #LulaLivre em Curitiba-PR. 14/04/2018. Foto: Joka Madruga/ Agência PT
Acampamento #LulaLivre em Curitiba-PR. 14/04/2018. Foto: Joka Madruga/ Agência PT
Acampamento #LulaLivre em Curitiba-PR. 14/04/2018. Foto: Joka Madruga/ Agência PT

Novas doações de roupas de inverno, cobertores e alimentos foram perceptíveis entre a população que chegava ao local. O local teve a circulação de milhares de pessoas, que se aglomeravam no local batizado de Praça Olga Benário, em momentos de garoa mais forte ou mais fraca, com capa de chuva e alimentação distribuídas solidariamente para todos e todas. Os acampados e demais visitantes têm acesso a quatro refeições diárias produzidas pelas oito cozinhas instaladas no acampamento e sob a responsabilidade do MST.

Acampamento #LulaLivre em Curitiba-PR. 14/04/2018. Foto: Joka Madruga/ Agência PT

O ato político da noite foi sob forte garoa, com a senadora Gleisi, a ex-ministra Eleonora Menicucci, que está no acampamento desde sexta à noite e pode ser vista circulando pelas tendas durante todo o dia, a ex-ministra Teresa Campelo e o ex-governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra.

Acampamento #LulaLivre em Curitiba-PR. 14/04/2018. Foto: Joka Madruga/ Agência PT

Para os movimentos em defesa de Lula, o ex-presidente é preso político, condenado sem provas, sem o direito da presunção da inocência e sem acesso à liberdade pois foi preso sem o trânsito em julgado das ações judiciais em que é criminalizado. E é esse o tom das declarações em sua defesa e também está nesse aspecto a legalidade do Partido dos Trabalhadores manter seu nome como candidato à presidência nas eleições de 2018, sem um plano B: enquanto não transitar em julgado, Lula não perde seus direitos políticos e pode ser eleito ainda que continue preso.

Essa expectativa é reiterada a cada divulgação de pesquisa eleitoral: na manhã desse domingo foram divulgados números do Data Folha, em que Lula aparece com a preferência dos votos nos três cenários em que foi incluído, inclusive no 2º turno. Uma nova pesquisa, encomendada pelo PT, será divulgada na terça.

Durante o ato, Gleisi defendeu a escolha de Lula em cumprir a decisão judicial da prisão e destacou que a chuva da noite e o frio e a ampliação do número de barracas são simbolicamente importantes. Ela também comentou as ações da prefeitura e da justiça paranaense contra o acampamento. “Ninguém sabe o que fazer com Lula. Mas é só liberar o Lula que nós vamos embora”.

Acampamento #LulaLivre em Curitiba-PR. 14/04/2018. Foto: Joka Madruga/ Agência PT

Eleonora relembrou um mês da execução de Marielle e destacou a importância da resistência democrática nesta data. Ela afirmou que na agenda das elites que estão no poder não existe a pauta dos direitos humanos, retomou o debate de gênero da noite anterior e destacou a abertura de representatividade e orçamentária de políticas para as mulheres dos governos Lula e Dilma e que foram extintas no período de governo pós-golpe. “Nossos sonhos não serão encarcerados nem executados”.

Acampamento #LulaLivre em Curitiba-PR. 14/04/2018. Foto: Joka Madruga/ Agência PT

Teresa Campelo foi ministra de desenvolvimento e combate à fome, outra pasta de caráter social extinta atualmente. Ela criticou a atual deliberação pela retirada do acampamento. “Querem tirar vocês daqui para pensarem que o que está acontecendo é legal, é natural”. A ex-ministra designou as ações do governo pós-golpe como iniciativas pata interromper a inclusão da população pobre. “Temos uma batalha grande neste país para retomar a democracia, liberar Lula e para retomar a inclusão”.

Acampamento #LulaLivre em Curitiba-PR. 14/04/2018. Foto: Joka Madruga/ Agência PT

Olívio Dutra afirmou que a prisão de Lula é injusta e que tem o caráter de criminalização do povo brasileiro que o ex-presidente representa. “A elite não quer que o povo seja sujeito da política”. Dutra relembrou os diversos golpes da história brasileira a que ex-presidentes do campo progressista foram submetidos: Juscelino, Jango e Dilma. “A continuidade do golpe é afastar Lula das eleições. Se sairmos das ruas, não teremos eleições. Não nos iludamos”.

Acampamento #LulaLivre em Curitiba-PR. 14/04/2018. Foto: Joka Madruga/ Agência PT

Gleisi lembrou que na próxima quarta-feira, 18 de abril, um novo julgamento no STF delibera sobre a prisão em 2ª instância. Ela narrou que outros acampamentos em defesa de Lula Livre se espalham pelo país, como o de Brasília, com 800 pessoas e outro em Fortaleza, com 1.800 pessoas. Ela finalizou convidando a população a enviar cartas para a presidenta do Supremo, Carmen Lucia, pedindo que o STF cumpra seu papel de guardião da Constituição e aplique o artigo 5ª que garante a presunção da inocência até o trânsito em julgado.


Por Paula Zarth Padilha
Foto: Joka Madruga
Terra Sem Males

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