Secretário de Saúde “culpa importados” por casos de dengue em Curitiba

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Ainda em audiência pública, Cesar Titton não dá prazo para entregas de unidades abandonadas.

Por Manoel Ramires
Terra Sem Males

O secretário de saúde de Curitiba, Cesar Titton, participou de audiência pública na Câmara Municipal. O foco de sua apresentação foi o combate ao aedes aegypti na capital. Ele diz que os 196 casos confirmados são importados de outros municípios. O Paraná já registra 7 mil ocorrência de doentes relacionados ao aedes aegypti. Cesar Titton também foi cobrado pelos vereadores por causa do abandono das obras nas Unidades de Saúde Campo Alegre e Jardim Aliança. Para ambas, o secretário não definiu prazo de conclusão das obras.

Em sua apresentação, o secretário de saúde expôs qual tem sido a estratégia de Curitiba no combate à dengue, a zika e chikungunya. Ele confirmou a notificação de 1755 e a confirmação de 196 infectadas por dengue em Curitiba. Segundo mapa apresentado por Titton, a maior incidência de dengue ocorreu na região do Parolin e sul da cidade.

“Nós fizemos 64 mil abordagens em Curitiba em 2015 e ampliamos a rede de combate. Os 196 casos registrados são importados, ou seja, de pessoas de outras cidades que vem para Curitiba”, afirmou o secretário. Segundo dados da secretaria de saúde, ainda foram três casos de chikungunya importados em 2015 e um em 2016. Já a zika registra dois casos em 2015 e 22 em 2016, sendo todos de pessoas que não residem em Curitiba.

Atendimento no SUS

Sobre o atendimento do SUS nas Unidades Básicas e Unidades de Pronto de Atendimento (UPAs), Cesar Titton apresentou números em que 38% do atendimento realizado na capital é de pessoas que não residem na cidade. São 22% da região metropolitana, 11% de outras cidades e 0,5% de outros estados. O atendimento de curitibanos residentes é de 62%.

Para o secretário, o tempo de espera nas UPAs é de 1h42. Boa parte dessa espera se deve ao desconhecimento da população no momento de procurar o serviço adequado. “Tem muita gente procurando a UPA que poderia ser atendida em uma unidade básica. Procuramos reposicionar essas pessoas. Muitas delas procuram a UPA quando as unidades básicas estão fechadas”, constata o secretário.

Colabora para o prejuízo do atendimento a não conclusão de obras como das Unidades Jardim Aliança e Campo Alegre. Para ambas, o secretário admitiu falta de recursos e pressão no governo estadual para que verbas sejam liberadas. O assunto foi denunciado pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sismuc) há um ano. Com relação à Campo Alegre, a retomada da obra pode ocorrer após reabertura do edital. “O novo edital sai em trinta dias para sabermos sobre a retomada das obras. Para elas teremos aporte financeiro da prefeitura e esperamos do governo estadual.

Já as incertezas com relação a US Jardim Aliança são maiores. O secretário não apresentou estimativa de retomada das obras. Apenas disse que cobrou o governo estadual com relação à liberação de verbas. “Após o carnaval eu fui pedir liberação de recursos ao governo estadual”, comentou.

Déficit financeiro e vacinas

O secretário admitiu divida da Prefeitura de Curitiba com a FEAES – Fundação Estatal de Saúde. Titton explicou que o repasse de verbas ocorre uma vez por ano e em fevereiro e que a gestão deve celebrar “Termo Ajuste Financeiro” para honrar a dívida. Embora o valor cobrado seja de R$ 68 milhões,  secretário comentou que equipe técnica estuda esse valor.

Com relação à falta de vacinas e medicamentos, o secretário disse que cobra do Ministério da Saúde o repasse de verbas, mas que a rede está é com “um controle maior na liberação dos medicamentos”.

 

Em tempo: O Terra Sem Males editou o título da matéria substituindo o termo “estrangeiros” por “importados” para que não seja erroneamente relacionado aos imigrantes, mas sim, à definição de quando a pessoa fica doente em outro município e retorna a Curitiba.

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