Sementes de Marielle

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Homenagens à vereadora e críticas à intervenção militar marcam lançamento de candidaturas feministas do PSOL no Rio

Por Mariana Franco Ramos
Rio de Janeiro, especial para o Terra Sem Males

Marielle Franco, assassinada a tiros no dia 14 de março, no Rio de Janeiro, virou mesmo semente. Em ato na noite dessa sexta-feira (17), na Cinelândia, 30 mulheres que concorrem à Assembleia Legislativa (Alerj), ao Senado e à Câmara Federal pelo PSOL no pleito de outubro se comprometeram a, caso eleitas, defender o legado da vereadora também no Parlamento.

O evento começou por volta das 19 horas, em frente à escadaria da Câmara Municipal do Rio. As principais lideranças do partido no Estado, como o deputado estadual Marcelo Freixo, a professora de Direito Luciana Boiteux, e os candidatos a governador, Tarcísio Motta, à vice-governadora, Ivanete Silva, e ao Senado, Chico Alencar, além de Mônica Benício, viúva de Marielle, e militantes dos movimentos negro, LGBTI e feminista, passaram por ali.

“Estamos desafiando os poderosos e dizendo a eles que não nos calaremos, não abaixaremos a cabeça e estamos aqui para disputar um lugar de poder. Queremos que o povo tome esse poder e o transforme de acordo com suas demandas”, disse Ivanete. Segundo ela, é em nome da memória da vereadora que as mulheres do PSOL forjam sua resistência, “transformando luto em luta”.

O ato teve um formato um pouco diferente do convencional. Ao invés de simplesmente discursarem, as mulheres foram fazendo perguntas umas para as outras, sobre temas que preocupam os eleitores – de segurança pública a aborto, passando por educação e saúde. A ordem foi definida por sorteio. Críticas à intervenção militar no Rio e aos governos do PMDB dominaram o debate.

“Precisamos eleger mulheres comprometidas com a luta feminista, que nos ajudem a superar as profundas desigualdades sociais e econômicas do nosso País”, afirmou Marta Baçante (PCB), que assim como Chico Alencar mira uma cadeira no Senado. O PCB integra, com o PSOL, a coligação “Mudar é Possível”.

Para Mônica Francisco, “cria do Borel e pastora evangélica antifundamentalista”, a única forma de mudar o Rio e o Brasil é ocupar o Parlamento com mulheres, e mulheres diversas. “Temos de disputar as nossas favelas, contra essa política de curral de compra de votos, disputar a narrativa, falar olho no olho e ouvir, acima de tudo. A gente tem que se dispir da nossa arrogância de esquerda e intensificar a escuta”, opinou.

“Vamos ocupar os espaços para subverter a política; ocupar o poder com o nosso corpo e a nossa voz. Precisamos de outro modelo de segurança pública. É inaceitável um modelo que mata filhos de mulheres como nós e como Marielle. E esse Estado quando não mata encarcera. O Brasil é o terceiro país que mais encarcera pessoas no mundo. A gente tem proposta para tudo isso”, reforçou a vereadora de Niterói Talíria Petrone, candidata ao Legislativo federal.

Questionada sobre a difícil luta que trava em defesa dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, Luciana falou que não pretende desistir. “Ampliaremos nossa bancada combativa, mas especialmente teremos um Congresso com mais mulheres para fortalecer essa luta. Se hoje é difícil debater esse tema da legalização do aborto, em 2019 não será. É pela vida das mulheres. Não é um método anticoncepcional. É informação nas escolas, anticoncepcional para não engravidar e aborto seguro para não morrer. O corpo é nosso e é nossa escolha”.

CRIANÇAS
Como é de praxe nos eventos políticos do PSOL no Rio, sobretudo aqueles realizados à noite, uma tenda para recreação infantil foi instalada ao lado do palco. Assim, enquanto as mulheres, muitas das quais mães, discursavam, as crianças brincavam, sempre sob supervisão de um ou dois adultos.

Fotos: Mariana Franco Ramos

 

 

 

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