Serra de Piraí do Sul: uma viagem para abraçar a alma

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Região de serra da cidade de Piraí do Sul tem cachoeiras, pinturas rupestres e muito sossego com ar puro para respirar

Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males

Sou daquelas que se contenta muito, a ponto do deslumbramento, em somente admirar belas paisagens à beira de qualquer rodovia que eu cruze ao volante. E entre idas e vindas de um mesmo trajeto usual, nestas férias resolvemos parar. Sair da rota praia-parentes-casa e arriscar novos ares.

Fomos parar numa pousada chamada Serra do Piraí, localizada à 200 quilômetros de Curitiba, no trecho entre Piraí do Sul (PR) e Ventania. O local já é de tirar o fôlego só olhando da beira da estrada. Um descampado sem fim, com poucos trechos de soja, e, lá no horizonte, ainda dá pra enxergar imensos paredões de pedras, tradicionais dos campos gerais parananenses.

A gente deu uma bisbilhotada na internet, entramos em contato, fizemos a reserva e decidimos pausar a viagem com uma noite e um dia na pousada antes de retornar para a cinzenta-chuvosa-e-fria-Curitiba-da-depressão.

Foto: Joka Madruga/Terra Sem Males

A pousada é simples, bem arrumada, por fora não aparenta todo o conforto de dentro. A diária, com pensão completa (café da manhã, almoço, café da tarde e janta) é R$ 150 por pessoa. É administrada e aparentemente tocada por três membros de uma família: a mãe, que faz a comida, a filha e o filho, responsáveis pela arrumação, atendimento aos hóspedes, guia de trilha. O pai também mora por lá. Os quartos são muito confortáveis. Cama de casal, mais três camas de solteiro, suíte com hidro. Não tem TV nem ar condicionado, mas faz frio de madrugada no verão de janeiro. Em cima de uma das camas estavam empilhadas umas dez cobertas para desfrutarmos à vontade (e foi necessário). A comida é boa, caseira, servida no fogão à lenha, sem excessos, com suco natural. No café, pão e bolo caseiros, com complementos também caseiros.

Nos hospedamos numa segunda-feira, então estavam todos à nossa “disposição”, tivemos atendimento VIP. Soube que tem que reservar com antecedência para feriados e finais de semana, o local é referência para trilheiros, aventureiros e amantes de cachoeiras.

Foto: Joka Madruga/Terra Sem Males

Ah, as cachoeiras. Foi a minha primeira vez sentindo a sensação que ainda sinto na pele, da água gelada e energizante te dando aquela revigorada para a vida. Já conheci outras cachoeiras como as quedas de Foz do Iguaçu e Porto Vitória (PR) e de Abelardo Luz (SC), e também já segui as placas da “rota das cachoeiras” de União da Vitória (PR), sem sucesso, mas nenhuma que eu tinha chegado perto era dessas que a gente pode se banhar. A que conhecemos fica muito perto da pousada. Uma caminhada leve, numa “grama alta”, como diz Carolina, passa por uma piscina natural, atravessa umas pedras, desce mais um pouco e lá estamos nós numa parte do percurso para parar e curtir o momento.

Uma outra cachoeira, bem maior, está distante quatro quilômetros de lá. Não quisemos arriscar com Carolina-4-anos nos acompanhando ali naquele momento, mas já temos intenção de voltar para percorrer a trilha, que é de maior dificuldade. O local também é cercado, guardadas devidas proporções de distância, de pedras com inscrições de nossos antepassados. Precisa de mais um dia no planejamento para visitar ao menos um dos sítios arqueológicos próximos.

Foto: Joka Madruga/Terra Sem Males

Ainda se tudo der errado e chover sem parar, a pousada é o paraíso do descanso e da diversão. Na sala tem projetor estilo cinema para curtir uns filmes ou shows em blue-ray e muitos sofás para se acomodar. Tem uma mesa de sinuca, uma decoração sensacional com objetos antigos, uma biblioteca com algumas opções de literatura (inclusive infantil), uma gaveta com todos os jogos de tabuleiro, cartas, dominó, quebra-cabeça e o que mais se puder imaginar para fugir do tédio. E se a vibe for só deixar a hora passar, tem rede para se pendurar e deitar.

O esquema é de uma simplicidade confortante. Você vai até a cozinha para comer. Você pega seu prato e se serve. Se for com criança e tiver tempo bom, tem uma piscina-chafariz-de-sapo que é sucesso garantido. Tem árvores frutíferas no quintal. E tem dois imensos labradores que não desgrudam da gente.

E se você ainda não acha que tudo isso vale a pena, tem o pôr do sol, o céu e as montanhas verdes. Aquele abraço na alma.

Foto: Joka Madruga/Terra Sem Males
Foto: Joka Madruga/Terra Sem Males

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