Sindicato comprova na Justiça do Trabalho prática de demissão em massa pelo Bradesco

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Entre dezembro de 2016 e janeiro de 2017, Bradesco demitiu mais de 200 bancários em Curitiba, a maioria incorporados do HSBC

Por Paula Zarth Padilha
Com informações do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região
Foto: Camila Cecchin/SEEB Curitiba

Na última quarta-feira, 14 de fevereiro, decisão colegiada do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região (Paraná) manteve liminar contra o Bradesco, que desde novembro de 2016 está proibido judicialmente de promover demissões em massa de seus trabalhadores, sob pena de multa de R$ 20 mil por bancário demitido sem justa causa.

Com a decisão, o Sindicato dos Bancários de Curitiba anunciou a suspensão das homologações de rescisões a partir de 15 de fevereiro e o peticionamento de nova ação judicial contra o banco pedindo a reintegração de todos os funcionários que foram demitidos desde que a liminar entrou em vigor.

Após o anúncio da venda do HSBC para o Bradesco e durante o processo de transição até a “virada de chave”, em outubro de 2016, enquanto o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) julgava se a fusão das instituições financeiras prejudicaria a população, havia um acordo entre o banco e o Sindicato de não ocorrerem demissões. Houve também a decisão do órgão fiscalizador de que as agências bancárias não seriam fechadas. E durante todo esse processo, a mobilização pelo emprego desses trabalhadores coube somente ao movimento sindical bancário.

A partir de dezembro, tudo mudou. Começaram as denúncias de esvaziamento dos locais de trabalho e de fechamento de setores inteiros de onde antes haviam instalações do HSBC em Curitiba, cidade sede do banco inglês no Brasil, que comporta quatro grandes centros administrativos. O Sindicato foi agendando as homologações de demissões e, nesse meio tempo, após a liminar judicial de novembro, colhendo provas para caracterização de demissão em massa junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT).

De acordo com informações divulgadas pelo Sindicato de Curitiba, em fevereiro já tem agenda marcada de homologação de rescisão para maio. O Sindicato registrou 28 homologações em novembro, e mais de 100 por mês em dezembro e janeiro, sendo a grande maioria de bancários oriundos do HSBC.

Com a decisão judicial desta semana, o Sindicato anunciou a suspensão de novas homologações para demissões a partir de 15 de fevereiro e um mutirão para liberar as verbas rescisórias de quem foi demitido até a data da audiência, 14 de fevereiro. Para esses ex-funcionários, também há a possibilidade de ação judicial para reintegração ao trabalho. Para sanar dúvidas, o Sindicato solicita que ex-bancários do Bradesco com rescisão agendada entre em contato com a Secretaria Jurídica da entidade e, para quem já foi demitido nesse período, participar de uma reunião com advogados, que será realizada no dia 7 de março, às 10h, no Espaço Cultural do Sindicato (Rua Piquiri, 380, Curitiba).

A proibição da demissão em massa pelo Bradesco, sob pena de multa, é válida para todo o país.

Na foto, dirigentes do Sindicato dos Bancários de Curitiba que acompanharam a audiência no TRT que colocou fim às demissões no Bradesco.

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