Trabalhadores param departamentos do BB e da Caixa em atos contra reestruturação

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Para movimento sindical, mudanças nas condições de trabalho dos empregados de bancos públicos são preparatórias para a privatização

Por Paula Zarth Padilha
FETEC-CUT-PR

Foto: Paula Zarth Padilha

O impacto salarial é somente um dos riscos e também dos medos dos trabalhadores da Caixa e do Banco do Brasil com os processos de reestruturação que estão ocorrendo no que resta dos bancos públicos. No BB, o valor das gratificações pode ter redução média de 18%. Na Caixa, os dados são contraditórios. “É um clima de medo. Uma reestruturação feita de forma terrorista. Com um prazo curto, sem informações. Nas matérias publicadas sobre a reestruturação vieram mais de 4 mil dúvidas. Ou seja, os trabalhadores não foram informados de como isso está realmente acontecendo. Do que pode, do que não pode”, explica a dirigente do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região Clarice Weisheimer, representante do Paraná na Comissão de Empregados da Caixa nas negociações com o banco.

Esses prazos curtos estabelecidos para os trabalhadores da Caixa dizem respeito a escolhas de vida. São relatos de o banco informar por vídeo-streaming para que definissem novos locais de trabalho com prazo ainda no mesmo dia para aderir ou não.  “As remoções podem ter impacto salarial. Isso é mais um dos riscos e um dos medos dos trabalhadores. Impacto salarial e o geográfico. Uma pessoa que tem uma estrutura de vida em um município e de repente tem que se mudar e ter que avaliar ir para outro município de maneira tempestiva, sem poder estudar, pensar, se organizar”, explica Clarice.

Foto: Paula Zarth Padilha

Na manhã desta quinta-feira, 13 de fevereiro, os dois prédios administrativos da Caixa, na Praça Carlos Gomes e na Caixa Cultural, amanheceram fechados em Curitiba. Os trabalhadores se mantiveram do lado de fora, onde os dirigentes sindicais estenderam faixas em defesa dos bancos públicos e contra a reestruturação. No dia anterior, a Caixa abandonou a mesa de negociação com os trabalhadores. Após implantar regras e readequações sem dialogar com os sindicatos, alegando “atos de gestão”, a administração do banco, sob a tutela do Governo Bolsonaro, se recusou a aceitar o pedido dos trabalhadores, de ter acesso às planilhas e dados sobre o programa de reestruturação. “A gente quer negociar, para que eles passem os números e para a gente conseguir verificar com os nossos estudos se isso será positivo e melhor para os trabalhadores, de forma que não impacte negativamente na vida deles”, afirma a dirigente.

Foto: Paula Zarth Padilha

De acordo com o presidente da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná (FETEC-CUT-PR), Junior Cesar Dias, os atos estão acontecendo nacionalmente hoje, na Caixa, e na quarta, dia 12, no Banco do Brasil, e também nas diversas bases do Paraná. “O que a gente não pode deixar acontecer nesse momento é não dar respostas ao que o governo federal e a administração dos bancos vêm fazendo. Esse é só o início, a gente sabe que a privatização é a causa principal de tudo que está acontecendo de reestruturação, tanto na Caixa quanto no Banco do Brasil. Infelizmente, o que está posto é uma vontade muito grande dos administradores dos bancos e do governo federal em acabar efetivamente com essas duas empresas, Caixa e BB”, diz.

Foto: Joka Madruga/SEEB Curitiba

Em Curitiba, os atos no Banco do Brasil mantiveram fechados até o meio dia, na quarta, os centros administrativos da agência e departamentos do prédio da Praça Tiradentes, da agência Estilo Champagnat e da Central de Relacionamento do Banco do Brasil (CRBB), em São José dos Pinhais. “Esse ataque ao patrimônio público, essa entrega do patrimônio público ao capital estrangeiro é uma política do atual governo. Isso está claro para nós também, a gente já tinha avisado que o principal objetivo desse atual governo era a privatização de tudo que a gente possa imaginar. A gente não pode esquecer que Paulo Guedes é banqueiro. O ministro da economia é banqueiro. Então ele tem um interesse direto, principalmente na privatização de Caixa e BB. E também, casado com isso, a política do governo federal de acabar com programas sociais”, alerta o presidente da FETEC.

Foto: Joka Madruga/SEEB Curitiba
Foto: Paula Zarth Padilha
Foto: Joka Madruga/SEEB Curitiba

O que resta dos trabalhadores com a política do governo Bolsonaro de entrega do país ao capital estrangeiro?

Os atos e manifestações nacionais em defesa dos trabalhadores do BB e da Caixa atravessam também o período em que outras categorias se mantém vigilantes em defesa do patrimônio público e contra as privatizações e fechamentos de unidades. Os petroleiros estão em greve há 13 dias contra o fechamento da Fafen, a Fábrica de Fertilizantes da Patrobrás, que fica na unidade de Araucária. O Governo Bolsonaro anunciou o fechamento da Fafen, que irá causar a demissão de cerca de mil trabalhadores.

Para Junior Cesar Dias, toda a classe trabalhadora deve ser solidária e atuar no apoio e visibilidade da greve dos petroleiros. “Na Petrobrás nossa indignação é por conta da possibilidade de uma empresa plenamente lucrativa, que ajuda a alavancar a economia do país, pois produz fertilizantes, num país amplamente baseado na agricultura, isso é impensável em qualquer outro governo, mas infelizmente no governo Bolsonaro eles estão querendo se desfazer justamente daquilo que a economia mais precisa, que são fertilizantes”, situa.

O dirigente comenta sobre o desmonte em curso da Petrobrás, também com fins privatistas de de venda de patrimônio público, que tem reflexos no emprego e no acesso de bens e serviços para a população. “As refinarias de petróleo estão sendo vendidas. É impensável depois de todo o esforço que foi feito. A Petrobrás descobriu o pré-sal, a Petrobrás desenvolveu todo o sistema de extração em grandes profundidades, todos investimentos da própria Petrobrás. E agora que a Petrobrás pode ser autossuficiente em petróleo, em toda extração e produção de combustíveis, você simplesmente entregar isso para a iniciativa privada, que nem do Brasil é. São empresas estrangeiras. É lógico que os trabalhadores não concordam com isso, que estão se organizando, é uma das maiores greves, maiores movimentações feitas pelos petroleiros e é lógico que nós temos que ser solidários”, conclui.

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