Um monte de amontoado de muita coisa, por Fernando Lopez

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Coube ao próprio Bolsonaro, no início de 2020, cunhar a expressão que melhor define o seu primeiro ano de governo: um monte de amontoado de muita coisa…

No caso, mais precisamente, muita coisa ruim, muita coisa errada, muita coisa que beira o absurdo, um verdadeiro “amontoado de muitas coisas” que ferem a sensibilidade e a inteligência de qualquer um que teve, um dia, a oportunidade de ler um ou dois livros, aqueles tradicionais, com letras e palavras.

O ano inaugural de Bolsonaro na presidência ficará na história como o maior amontoado de impropriedades palacianas já cometidas desde a proclamação da República, de tweets sobre golden shower à culpar Leonardo DiCaprio por incêndios na Amazônia. O homem eleito pelas fake news fez de seu governo uma central de produção de mentiras, em uma média superior à duas por dia.

A propensão de Bolsonaro para não falar a verdade só se compara à sua capacidade de fazer as piores escolhas para compor sua equipe, de assessores totalmente desqualificados para ocupar qualquer cargo à ministros que claramente desprezam os Ministérios que assumiram e parecem decididos a destruí-los.

O amontoado de muita coisa que Bolsonaro chama de Ministério inclui um semi-analfabeto na Educação, um janota estelionatário no Meio Ambiente, uma beata com perturbações sexuais no ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, um caso clínico de estupidez mórbida nas Relações Exteriores, sem contar os dois pilares de sustentação desse show de erros, o banqueiro alienado que tem o Chile como exemplo de sucesso econômico, na Fazenda, e o ex-juiz com limitadíssimo conhecimento jurídico e ética comprovadamente deficiente na Justiça e Segurança Pública.

Isso sem falar da maior reunião de militares de pijama à compor um governo, generais e coronéis aposentados, que mancham de bolor verde oliva os corredores do Planalto, em número não visto nem nos tempos da ditadura.

E esse monte de amontoado de erros e de gente errada vai soterrando nossa soberania, nossas riquezas, nossos direitos, nossos empregos, nosso presente e nosso futuro numa velocidade alucinante, nos deixando atônitos e impotentes. É a doutrina do choque sendo aplicada intuitivamente, por quem nunca leu Naomi Klein mas produz choques com maestria.

O lado bom é que apesar de tudo sobrevivemos ao debut de Bolsonaro na presidência. Um já foi, só faltam três, como se diz por aí.

Chegaremos inteiros em 2023? Será possível reconstruir? Bolsonaro será reconduzido ao poder ou será substituído por alguém ainda mais nocivo? Os brasileiros pensantes terão capacidade de se organizar e por um fim a este descalabro?

São muitas dúvidas; um monte de amontoado de muitas incertezas… mas só nos resta prosseguir, juntos, com esperança e força de luta, para que cada ano seja menos pior, até o fim do pesadelo.

Feliz 2020.

Fernando Lopez é idealizador do Social Lista SA.

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