Vigília em defesa de acampamentos do MST em Cascavel (PR) completa 2 meses

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A mobilização permanente resultou na suspensão da reintegração de posse por 90 dias.

Nesta sexta-feira (28), a Vigília Resistência Camponesa: por Terra, Vida e Dignidade completa dois meses de mobilização diária em Cascavel, oeste do Paraná. As famílias Sem Terra iniciam a luta permanente em dezembro de 2019, em meio ao clima de festas de Natal e Ano Novo. O motivo era mais do que urgente: defender suas casas, roças, igrejas e território comunitário construídos ao longo de 20 anos nos acampamentos Resistência Camponesa, 1º de Agosto e Dorcelina Folador. 

A mobilização permanente resultou na suspensão da reintegração de posse por 90 dias, a partir do início de fevereiro. A decisão partiu do juiz o juiz Nathan Kirchner Herbst, após uma manifestação da Comissão de Conflitos Fundiários do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR). 

Além de conquistar a suspensão do despejo, Adair Gonçalves, um dos coordenadores da Vigília e morador da comunidade Resistência Camponesa, ressalta aprendizado permanente e o envolvimento das famílias. 

“Estamos conseguindo manter uma média de 30 a 40 pessoas todos os dias na Vigília. É muita coisa para uma ação que acontece todos os dias, há dois meses. Os finais de semana têm ainda mais pessoas, vindas de assentamentos e da cidade. Durante o Carnaval a participação foi massiva”, avalia. A Vigília ocupa às margens da BR 277, no Km 557, entre às 10h e às 15h.

Em defesa de todas as famílias acampadas no Paraná 

No último mês, a Vigília tem passado por uma ampliação do seu objetivo: para além de reivindicar a permanência das famílias acampadas em Cascavel, passa a divulgar e cobrar o direito à terra e à moradia para as mais de 7 mil famílias acampadas em cerca de 80 ocupações rurais no estado.

“Queremos que todas as famílias acampadas no Paraná tenham a garantia de permanecer trabalhando e vivendo onde estão, e que o Estado invista nessas comunidade para criar os assentamentos. Essa é a política pública que vai ajudar a desenvolver o Paraná, que é mais humana com as famílias Sem Terra e que traz resultado positivo à toda sociedade”, afirma Adair Gonçalves.

Caravanas de agricultores do MST vindos da região Norte e Sudoeste do Paraná passaram cada uma cerca de 10 dias na Vigília, para conhecer, contribuir e prestar solidariedade às famílias em luta. Novas visitas de assentados e acampados em outras regiões do estado devem ocorrer nos próximos meses.

Visitas e apoios

Já se passaram dois meses de mobilização diária, perseverante e baseada no trabalho coletivo e organizado. As visitas e manifestações de apoio também chegam todos os dias, de todos os cantos do Paraná e de outros estados brasileiros.

Os deputados estaduais Luciana Rafagnin e Professor Lemos, ambos do PT, já estiveram no local em solidariedade às famílias. Pastores, padres e religiosos de diferentes crenças também têm sido presença constante na Vigília, especialmente com celebrações aos domingos. Entidades, sindicatos, movimentos sociais e coletivos são presença constante na mobilização. 

Exposição de fotos e visitas

O vereador de Cascavel Paulo Porto (PCdoB) protocolou e a Câmara Municipal aprovou Voto de Louvor à Vigília. A homenagem será entregue às famílias ainda no mês de março. 

No próximo dia 6 de março, os deputadas federais pelo Paraná Gleisi Hoffmann e Enio Verri, ambos do Partido dos Trabalhadores, farão uma visita à Vigília. 

No mesmo dia, haverá a abertura da “Expofotos Vigília Resistência Camponesa”, que vai reunir fotografias das comunidades ameaçadas e do dia a dia da mobilização. A iniciativa é do fotógrafo Júlio César, que registra a luta das famílias desde o início da Vigília. A exposição será das 14h às 20h30, no APP Sindicato, Rua Francisco Bartinik, n° 2017, Cascavel, com feira de alimentos produzidos pelas três comunidades ameaçadas de despejo.

Um coletivo  de comunicação da Vigília mantém a alimentação diária de uma página no facebook. Confira: https://www.facebook.com/resistenciacamponesaoestepr/

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