Vítimas do crime de Mariana acampam em frente a empresa Vale no Rio de Janeiro

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O ato faz parte das atividades do 8° Encontro Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens

Na manhã desta segunda-feira (2), atingidos por barragens de todo Brasil, organizados no Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), denunciam o crime da Samarco, Vale e BHP Billiton que aconteceu em Mariana (MG) no ano de 2015, no escritório da mineradora Vale, na Rua Almirante Guilhem, 378- Leblon, Rio de Janeiro- RJ.

Cerca de mil pessoas fazem a denúncia da impunidade das mineradoras, responsáveis pela barragem de Fundão, que rompeu dia 5 de novembro de 2015 e se tornou o maior crime socioambiental do mundo.

Desde o rompimento da barragem, milhares de pessoas permanecem na incerteza do futuro. As famílias que perderam casas em Mariana e Barra Longa ainda não têm o terreno definitivo, onde os novos distritos, devastados pela lama, serão construídos. “Entre acordos, decisões judiciais, criação de empresas e programas, a sensação é estarmos sendo deixados de lado. Enquanto os grandes decidem nossa vida por nós, estamos sofrendo com os rastros da lama”, disse Simone Silva, atingida de Barra Longa.

A situação dos atingidos ao longo da Bacia do rio Doce é a mesma. A estimativa da população atingida soma-se mais de um milhão de atingidos, em Minas Gerais e no Espírito Santo, terão que conviver com água contaminada pela lama da Samarco. A incerteza é se a ingestão da água trará problemas futuros a populações que não tem outra escolha, se não, beber e plantar com água do rio. 

“Estamos aqui hoje para denunciar que uma das maiores mineradoras do mundo. A Vale prega em anúncios publicitários o compromisso com prosperidade e sustentabilidade, mas na verdade é uma empresa criminosa, que mata rio e mata gente. Só quer obter o lucro  mesmo que custe a destruição da vida de pessoas e da natureza”, afirma coordenação do Movimento dos Atingidos por Barragens.

Os atingidos ainda denunciam a ineficácia da (in) Justiça brasileira, que somente beneficia as empresas.  Em março de 2016, após discordância sobre a competência judicial, a investigação criminal conduzida pela Polícia Civil foi suspensa, o que atrasou a apuração dos fatos.

Além da decisão da Justiça Federal de Ponte Nova (MG) que suspendeu, no início de agosto, o processo criminal contra 22 pessoas acusadas de serem responsáveis pelo rompimento da barragem de Fundão.

O MAB, organizado de Regência (ES) à Mariana, não deixará que a sociedade brasileira e internacional esqueça o maior crime ambiental do Brasil e da mineração Global que jogou 55 milhões m³ de rejeito de minério de ferro, matou 19 pessoas, provocou um aborto forçado, desalojou centenas de famílias, além de matar a biodiversidade de um dos maiores rios de Minas Gerais.

Encontro Nacional dos Atingidos por Barragens

O ato de denúncia a Vale faz parte das atividades do 8° Encontro Nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens, que acontece até o dia 05  de outubro de 2017 e reúne cerca de 4 mil atingidos de todo o Brasil e representantes de 20 países, no Terreirão do Samba, na capital Carioca.

Fonte: Assessoria de comunicação do MAB

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