19 de Abril: Momento de reafirmação da Luta Indígena

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Por Júlio Carignano
Terra Sem Males

Com o objetivo de fortalecimento e valorização da tradição Avá Guarani, é realizada anualmente a Semana Cultural Indígena do Oeste do Paraná agregando as comunidades de Diamante do Oeste e São Miguel do Oeste. São três dias de atividades alusivas ao Dia do Índio, lembrado em 19 de abril, quando as aldeias recebem as visitas de alunos de escolas da rede pública e particular da região; oportunidade de conhecerem a história e a cultura dos povos originários, seus hábitos e crenças.

As festividades, organizadas nas Escolas Indígenas Araju Porã e Kuaa Mbo’e (Diamante do Oeste) e também na comunidade de Ocoy (São Miguel do Iguaçu), contrastam com o atual cenário dos povos tradicionais: do aumento da intolerância e discriminação, de paralisação dos processos de demarcações e ataque a direitos previstos na Constituição. Por isso, as lideranças indígenas reforçam que o dia 19 de abril é um momento de reafirmação da luta indígena. “Nossa semana não é só de festa, mas também de reflexão e resistência, de luta por nossas terras ancestrais, pelos direitos humanos de nossas mulheres e de nossos jovens”, comenta Teodoro Tupã Alves, coordenador da Comissão de Terras Guarani do Oeste do Paraná.

De acordo com Tupã, o atual momento político do país também preocupa as comunidades indígenas, da tentativa de um golpe a democracia com o processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff. “É ruim para qualquer um, pois não sabemos o que vem por aí. É ruim para a democracia dos brancos e também para os indígenas. É perigoso para qualquer sociedade, especialmente para os mais pobres, os indígenas, os quilombolas, os sem terra, todos aqueles que lutam pela reforma agrária”, comenta Teodoro.

O indigenista Paulo Porto, vereador pelo PCdoB em Cascavel, esteve nesta terça-feira (19/4) em Diamante do Oeste para participar das atividades da Semana Cultural. Ele falou da situação de aldeamentos não regularizados na região. “Está faltando uma decisão política mais firme de priorizar esta questão territorial no Oeste do Paraná, que está se tornando crônica e cada vez mais contundente”, disse Porto.

Há 17 áreas não regularizados no Oeste, sendo nove delas em Guaíra, cinco em Terra Roxa, duas em Santa Helena e uma em Itaipulândia. “A questão territorial é central para o povo Guarani, eles tem uma frase que explica isso: “Sem tekoha não há teko”. Teko significa aldeia e tekoha lugar. É uma composição linguística. Ou seja, sem aldeia não há cultura. Sem terra não há povos indígenas”, diz o indigenista.

No Paraná existem três etnias indígenas: os Kaiguangue com aproximadamente 13 mil indivíduos, os Guarani com cerca de 2,5 mil e os Xeta, esse último em vias de extinção com cerca de 30 indígenas em todo o Estado. “Existem povos indígenas com diferentes culturas, línguas, costumes e crenças. São mais de 300 povos de etnias diferentes em todo o Brasil, mais de 180 línguas vivas e de 4 a 5 povos que não tiveram contato algum com o não-índio”, explica Paulo Porto.

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