A escolha do rebanho de Jones

Compartilhe esta notícia.

Apoie o Terra Sem Males, financie o jornalismo independente

Por Fernando Lopez | Foto: Joka Madruga

Desde que esse vírus maldito deixou de ser uma gripezinha e se tornou a maior pandemia dos últimos 100 anos, duas estratégias de enfrentamento foram apresentadas: a contenção do crescimento das contaminações via distanciamento social e a teoria da imunidade do rebanho.

Praticamente todos os países do mundo fizeram a opção pelo isolamento social, priorizando a vida dos cidadãos, mesmo que com um alto custo para suas economias.

A segunda opção, uma imbecilidade que não resiste à mais elementar aritmética, foi prontamente descartada pelo mundo civilizado.

Você é importante para manter o Terra Sem Males no ar. Seja um assinante.

A equação que calcula número de mortos em um cenário de contaminação de toda a população (o rebanho) apresenta um resultado assustador, devastador, inaceitável. Milhões de mortes seriam necessárias para que o “rebanho” se imunizasse.

O que parecia uma escolha lógica, matemática, independente de visão ideológica, aqui no Brasil virou debate caloroso.

De um lado aqueles que, apesar de tudo, ainda conseguem manter um mínimo de sanidade nesse hospício geral e de outro aqueles que aceitaram o “mito” como salvação e guia, numa nova religião que lembra Jim Jones.

Cenas como a da noite passada, no Leblon, não tem explicação outra que não seja a fé cega na ignorância e no egoísmo, dogmas da religião bolsonarista.

Assim como ocorreu na Guiana, por aqui o rebanho também parece disposto a seguir o líder, a morrer, em nome de uma fé inexplicável, que passa longe da razão e da lógica.

O problema é que aquele suicídio em massa ficou confinado aos seguidores do profeta, em uma pequena fazenda na selva, já aqui todos estamos a um metro e meio do copo com refresco envenenado.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *