“A gente também é vítima desse processo de luta por direitos”

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“Éramos cinco milhões de indígenas habitantes no Brasil e fomos reduzidos a 400 mil. Hoje, a estimativa é de 1 milhão de indígenas no território. Tínhamos o espaço todo ele para nós e hoje temos que lutar pela nossa própria terra. Chegou ao ponto do índio no Brasil ser também um sem terra. Terra para continuar a viver, tentar sobreviver. Se tornou normal essa brecha na lei. Tiram o índio da terra, vem a reintegração e o despejo com todo o aparato do Estado. Balas de borracha, gás lacrimogêneo. Onde existem crianças, velhos. E eles têm o direito de aplicar a lei dessa forma. Crescem os número de mortes de lideranças indígenas. Em Carapó três lideranças foram mortas. A polícia apareceu três dias antes de capangas de fazendeiros cercarem e atirarem. A polícia retornou após o massacre para dizer que nós estamos errados. Os índios foram para cima e queimaram a viatura. Não tiraram a vida de ninguém. Mas veio ordem de prisão para o cacique, que teve um filho morto e outro hospitalizado. Onde existe demarcação de terra, existe pressão do Estado, existe a polícia. Existe massacre de Estado, que usa a força policial. No Congresso também estão massacrando e exterminando nosso povo. Relator e presidente da CPI da Funai/Incra são latifundiários. A Constituição nos diz que temos o direito. Nós chegamos primeiro. A OIT nos diz que temos o direito. E, acima de tudo, nós sabemos que no nosso país o direito territorial é dos povos indígenas. As nossas retomadas são legítimas. E se nós temos que pagar com nosso sangue, nós vamos pagar”.

Depoimento de Alberto França Terena, da Aldeia Buriti (MS). Alberto é membro da Organização dos Povos Indígenas do Brasil e participou, no dia 15 de setembro, do debate “Criminalização dos movimentos sociais”, durante o 5º Seminário Unificado de Imprensa Sindical, realizado em Brasília.

Edição: Paula Zarth Padilha
Foto: Heitor Lopes (Fórum de Comunicação da Classe Trabalhadora)

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