A prisão sombria de Eduardo Cunha

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Por Manolo Ramires
Terra Sem Males

Sorrisos amarelos. Comemoração tímida medo do que está porvir. A prisão de Eduardo Cunha está sendo comemorada por todos os lados. Mas também desperta preocupação e medo em todos os cantos. Tanto é que pouco se ouviu de panelas e buzinas assim que a notícia veio a público. Reação bem diferente do alarido na condução coercitiva de Lula. Ao que parece, os “patriotas” ficam constrangidos de comemorar a prisão daquele que apoiaram. Ficaria como uma confissão de que se aliaram a um bandido que promoveu o golpe. Aliás, essa é a mesma turma que vestiu o verde e amarelo em defesa da educação e saúde, mas que atualmente não se manifesta contra a PEC 241. Se algo comentam é para defender Temer ou relativizar dizendo que os protestos são coisas de petistas, demonstrando o quanto desconhecem do assunto.

Bandeira vermelha amarelada
Do outro lado, a comemoração da prisão de Cunha também está sendo tímida. Demonstração da desconfiança de que Cunha é o bode expiatório que levará Lula à cadeia. Independe de teorias da conspiração, a esquerda precisa calibrar o discurso. Se Cunha estava solto era reflexo do golpe. Se Sérgio Moro prende Cunha, é mais um passo do golpe. Por outro lado, diferente do peemedebista, Lula já mostrou que tem mais resistência. Ou seja, a sua prisão vai depender de provas muito consistentes para não se voltar contra a Operação Lava Jato. Muito além do motivo para prender Cunha: risco de fuga. Sendo assim, a esquerda só tem a restado a incoerência de comemorar a prisão de um inimigo enquanto crítica a possível detenção de seu maior líder.

Bandeira suja
Ninguém tem mais medo da prisão de Cunha do que o PMDB e o PSDB. Se ele abrir a boca, o mundo deve vir abaixo. E não dá para esquecer que nessa semana os nomes desses partidos voltaram a baila em delações de empreiteiras. De Moreira Franco a Aécio Neves, todos estão na mira novamente.

Situação pior está o traidor Michel Temer. Tanto que ele está voltando antecipadamente do Japão. A ele não se restringe caixa 2 e propinas. Embora ninguém tenha prova, apenas Cunha, o Brasil inteiro tem convicção que ele articulou o golpe com o carioca. Temer pode cair muito antes do que tantos queriam. O que pode o segurar são as medidas neoliberais. Alguém dúvida?

Bandeira de Moro a meio mastro
Numa retrospectiva, o juiz Sérgio Moro agiu rápido desde que o processo contra Cunha caiu definitivamente em seu colo. Tempo bem diferente do STF que manteve o ex-presidente intacto o quanto pode. Afinal, apenas quando Marco Aurélio Melo topou afastar Cunha que Teori Zavaski colocou o assunto para apreciação.

Mas a agilidade de Moro não é reflexo da sua imparcialidade, como seus fãs tentam fazer ecoar aos quatro ventos. Foram as suas incoerências nos prazos entre Cunha e Lula, a condução coercitiva de um contra a devolução do passaporte de Cláudia Cunha que aumentaram a pressão contra o juiz. Sérgio Moro também foi encurralado por artigo publicado na Folha de S Paulo e que ele pediu censura. O assunto arranhou a imagem do paranaense. Mas agora, com a prisão de Cunha, talvez Moro volte à crista da onda. Ou assine sua confissão de morte, como sugere o artigo.

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