A senhora dos absurdos está à solta

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Por Luiz Fernando Rodrigues
Administrador, agente educacional II na rede pública estadual de educação e secretário de comunicação da APP-Sindicato

O humorista Paulo Gustavo criou um personagem que ilustra bem o que vemos pelas redes sociais e nas ruas do país nos últimos tempos. A “Senhora dos Absurdos” é uma mulher, branca, heterossexual, rica. Seu discurso resume todo o ódio da classe média burra que emergiu desde as manifestações de junho de 2013: o racismo, o machismo, a lgbtfobia e o ódio ao diferente.

O que parecia apenas um personagem de show de humor na TV transformou-se em um verdadeiro show de horrores nas ruas e nas redes. O fascismo saiu da sarjeta onde se escondia há muito tempo e passou a circular livremente pelas ruas e pela internet. O discurso de ódio contra qualquer debate coletivo, contra qualquer causa em defesa das minorias se transformou em alvo de ataques.

Mesmo depois do golpe parlamentar que retirou a presidente democraticamente eleita do cargo, o ódio parece não ter sido suficientemente destilado. Mesmo com os ataques do governo Temer aos direitos dos trabalhadores e aos serviços públicos, qualquer tentativa de resistência é tratada como “defesa do PT e da corrupção”. Como descreve Norberto Bobbio, em seu livro “Direita e esquerda”, a direita crê que os indivíduos são fundamentalmente desiguais. Os fascistas conseguem ir além e acreditam piamente que os diferentes têm de ser silenciados.

No Paraná, servidores públicos estão em luta e resistência contra a retirada de seus direitos duramente conquistados. Uma reação à investida de implantação de um projeto neoliberal pelo governador Beto Richa (PSDB). Desde o fatídico 29 de abril de 2015, quando servidores e estudantes foram massacrados pela polícia em praça pública durante protesto contra uma reforma previdenciária, vê-se uma ascensão de movimentos que tentam deslegitimar a luta destes trabalhadores. Esses movimentos ganharam mais força a partir das denuncias de corrupção no governo federal, quando foram às ruas contra o PT.

O Brasil presencia uma luta imensa de estudantes e de várias categorias contra a ofensiva golpista de retirada de direitos. No Paraná, estudantes ocupam cerca de 1000 escolas em todo o Estado contra a MP 746 que altera o Ensino Médio. Um movimento legítimo que exige do governo do Estado que assuma um papel contrário às mudanças que visam prejudicar os estudantes e a educação como um todo.

Outro movimento é a greve da educação pública. Com uma pauta coerente que visa garantir a reposição da inflação e o pagamento de dívidas do governo com os servidores, a luta legítima virou alvo de movimentos fascistas.

Qual o caminho para sair dos impasses? A palavra é diálogo! O desafio? Dialogar com fascistas. Aí Márcia Tiburi, professora e filósofa, resume tudo: “O fascista perdeu a dimensão do diálogo”. O fascismo, segundo a filósofa, se apoia no retrocesso da construção coletiva. “A personalidade autoritária não reconhece nada fora dela mesma… Nada pode ser contra seu modo de pensar, de sentir e de ver o mundo. O que o eu autoritário  – e mimado – quer é impor-se como centro do mundo”, afirmou Tiburi em entrevista ao jornal Folha de São Paulo.

Nossa luta, para além das pautas corporativas, deve tentar conter o avanço do autoritarismo e do conservadorismo que prega o retrocesso seja em direitos, seja em políticas sociais que conquistamos ao longo dos últimos 70 anos. Entidades representativas destes resistentes atores não podem sucumbir ao desejo infantil de grupos extremistas. Resistiremos!

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