ADOLFO PÉREZ ESQUIVEL E A LUTA PELA SOBERANIA ALIMENTAR

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Adolfo Pérez Esquivel, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1980, é um notório “Guardião de Sementes”. Ele tem 84 anos e esteve no Brasil acompanhado de sua esposa, especialmente para participar da 3ª Feira de Sementes Crioulas de Mandirituba, realizada no último domingo, 30 de agosto.

“Vou falar em portunhol, vocês têm que escutar com o coração, o coração compreende todos os idiomas”, iniciou assim sua fala na solenidade de abertura da feira, acompanhada por centenas de pessoas, militantes e simpatizantes da agroecologia e da agricultura familiar.

Esquivel e o quadro que ele pintou e doou para a Abai. Foto: Joka Madruga
Esquivel e o quadro que ele pintou e doou para a Abai. Foto: Joka Madruga

Ele é ativista de direitos humanos, nasceu na Argentina, e foi agraciado com o Nobel da Paz de 1980, por sua atuação na militância de enfrentamento de crimes de tortura e desaparecimentos praticados nos anos das ditaduras militares por toda a América Latina. Representa a entidade Servicio Paz y Justicia en América Latina (SERPAJ-AL), instituição que atua em 15 países na militância pela educação, povos indígenas, camponeses, todos os povos mais pobres.

O evento foi promovido pela ABAI,  Associação Brasileira de Amparo à Infância, parceira da Fundação Vida Para Todos, instituição que oferece contraturno escolar na região agrícola de Mandirituba. “Hoje, aqui, esta reunião é para celebrar a vida. Estas mulheres, com muita coragem e consciência estão trabalhando para reunir, celebrar a vida da semente, temos que celebrar a humanidade. A ABAI é o centro da Mãe Terra, é a possibilidade de um novo amanhecer. Temos que construir o novo amanhecer entre todos e todas”, declarou ao público.

Esquivel é homenageado na 3ª Feira de Sementes de Mandirituba-PR. Foto: Joka Madruga
Esquivel é homenageado na 3ª Feira de Sementes de Mandirituba-PR. Foto: Joka Madruga

Esquivel falou que empresas como a Monsanto querem controlar a soberania alimentar, e que a soberania alimentar não está nas grandes empresas.“Para semear, temos que abrir as mãos. Esse é um desafio. Num mundo cada vez mais fechado, querem controlar a soberania alimentar e nós temos que lutar por ela. A soberania alimentar está no pequeno e médio produtor agrícola”, declarou o arquiteto e artista plástico, que dedica sua vida à militância em defesa dos povos e dos pobres.

Durante o evento, concedeu entrevista exclusiva ao Terra Sem Males sobre a sua militância em defesa dos povos. A entrevista será publicada na edição impressa do Jornal Terra Sem Males sobre o tema Direitos Humanos.

Adolfo Pérez Esquivel. Foto: Joka Madruga
Adolfo Pérez Esquivel. Foto: Joka Madruga

“Muita força, muita esperança e um abraço de paz”, finalizou, sendo ovacionado pelo povo brasileiro.

Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males

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