Agressões em escola paralisam aulas na Vila Pantanal

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Trabalhadoras solicitam reforço de segurança e mais diálogo com a comunidade

Por Manoel Ramires
Terra Sem Males

Trabalhadoras de escola, professoras, inspetoras e administrativos da Escola Jornalista Arnaldo Alves da Cruz, e uma professora do Cmei Pantanal, na Vila Pantanal, em Curitiba, realizaram protestos contra seguidas agressões que vêm sofrendo. Elas foram à Rua da Cidadania do Carmo para cobrar do Núcleo Regional de Educação ação de combate à violência e mais inclusão social com a comunidade. No local existem três equipamentos públicos: a escola, o cmei e a Unidade de Saúde Pantanal.

A escola foi a única que suspendeu as aulas para debater com a chefia do Núcleo de Educação. Recentemente foram registrados pelo menos oito boletins de ocorrência contra agressões e ameaças. Mas, segundo as profissionais, o caso é mais grave. Alguns profissionais tiveram que ser afastados e até transferido por causa das ameaças.  “Em abril, uma professora teve que sair da escola escoltada porque uma mãe tentou agredi-la. Ela teve que ser transferida”, lamenta Rose Barbieri, coordenadora do Sismuc.

A paralisação geral foi motivada por mais um caso de agressão.  Uma professora teve seu cabelo puxado por uma mãe no período de entrada da escola, no meio do pátio e na frente das crianças. “A professora foi atacada. A situação foi uma das mais graves que já vivemos. A mãe xingou a professora e assustou a todos”, lamenta uma professora.

Essa agressão foi o estopim para que fosse cobrada mais segurança e diálogo com a comunidade. “Nós estamos em uma roleta russa. Todo dia a gente se pergunta quem será o próximo agredido. Estamos perdendo nossa dignidade. Se paramos 100% hoje é porque tem alguma coisa errada. Não podemos nos acostumar com ameaça de morte”, revela a agente administrativo Lilian Alves.

A reunião ocorreu na Regional do Boqueirão, na Rua da Cidadania do Carmo.  Para voltar às atividades, as trabalhadoras reivindicaram um guarda municipal efetivo, guardas com motos na entrada e saída da escola dos turnos, permanência da direção escolar na entrada e saída dos alunos, reposição de funcionários e realização de assembleia de trabalhadores com os pais e com a participação do Conselho Tutelar e Núcleo de Educação. “Vamos pedir ao núcleo de educação que faça trabalho de conscientização e inclusão social com a comunidade. Cabe ao núcleo fazer um trabalho maior, envolvendo o trabalho de saúde, o acompanhamento da FAS, ou seja, assumir o desenvolvimento das pessoas a partir do equipamento público”, sinaliza Cathia Almeida.

Devido aos casos de agressões e a tensão da região, também foi pedido à permanência de duas pedagogas de manhã e a tarde. A gestão reduziu a quantidade de quatro profissionais para dois. O argumento dado é a quantidade de crianças por profissionais. No entanto, para os trabalhadores, a situação crítica e a quantidade de serviços prestados cria a necessidade de mais atenção pedagógica. “Nossa realidade exige mais profissionais”, relata a pedagoga Irene. A faixa etária das crianças atendidas no local vai dos quatro anos até os dez anos na escola e dos seis meses até os quatro anos no cmei. A escola tem 312 crianças matriculadas.

Cmei Pantanal também sofre com agressões

Os riscos de violência que ocorrem na escola também se repetem no Cmei Pantanal. As professoras de Educação Infantil dizem que também se sentem ameaçadas por parte da comunidade. As trabalhadoras alegam que a sua rotina de trabalho chega a funcionar conforme o interesse da comunidade, desregulando horários e desorganizando a atenção à criança. “Eu fui ameaçada por uma mãe. Só não sai do cmei porque o senhor Gentil, líder comunitário, conversou com a família. Eu não me sentia mais segura lá”, confessa a professora infantil Marla Woytowicz.

Apoio da comunidade

Dois líderes comunitários participaram da reunião ocorrida na regional. Um deles, “gordo do mercado”, disse que a comunidade se solidariza com a situação das escolas e dos cmeis. Ele admitiu a existência de algumas famílias problemáticas e “malandros”. “Nós também exigimos respeito. Nós conhecemos os barraqueiros e vamos garantir a segurança na comunidade”, apontou.

Já o senhor Gentil, que também é líder comunitário, afirma que a relação entre os profissionais e a comunidade vai melhorar em até noventa dias. “Podem voltar que nós a queremos lá para trabalhar. Nós precisamos delas”, pede o líder. Ambos confirmaram presença em assembleia a ser realizada com os trabalhadores, gestão municipal, pais e comunidade.

Núcleo garante guarda efetivo

Após a pressão dos servidores, a Administração da Regional e o Núcleo de Educação do Boqueirão se comprometeram a realizar diversas atividades. Reconheceram a necessidade de ampliar o quadro de inspetores e conversar com a Secretaria de Educação para a realização de hora extra dos inspetores. A Administração ainda se comprometeu com a fixação de pelo menos um Guarda Municipal para cuidar dos três turnos escolares. Também assumiu compromisso com a vigilância ostensivo no horário da saída, entrada e recreios da escola e cmei.

A gestão regional ainda se compromete a participar da assembleia ampliada. “Nós vamos fazer uma força tarefa para tentar melhorar a relação dos trabalhadores com a comunidade. Pedir a ajuda do conselho tutelar e realizar trabalho em conjunto”, afirmou Cinthya Catarine Carvalho, chefe de núcleo.

 

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