As Revoltas dos Legislativos

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1 – A independência e o equilíbrio entre os três poderes é história para francês ver. No Brasil, a máxima que vale é: manda quem pode, obedece quem tem juízo. Assim, o Legislativo Federal (estadual e municipal) sempre age debaixo do manto do Executivo. Muito em parte atrelado às emendas parlamentares e a relação de cargos. Já o Judiciário não tem vocação para confrontar o poder eleito. Especialmente quando esse poder eleito acerta benesses como auxílios moradia e orçamento inflado.

2 – O ano de 2015, contudo, tem contrariado essa lógica. Muitas são as peculiaridades e uma é a coincidência: o enfraquecimento da imagem do Executivo. É o caso, por exemplo, do Congresso Nacional. Goste ou não de Eduardo Cunha, ele imprimiu novo ritmo à Câmara dos Deputados. Não se governa mais por decreto do Executivo. Muito pela imagem desgastada da presidente Dilma. O problema é que a revolta do baixo clero criou um Luís XVI. Ele acha que pode tudo contra tudo e contra todos. Só que suas conspirações e golpes devem acabar na guilhotina da Lava Jato.

3 – Outro Legislativo que volta e meia se insubordina é o paranaense. Pouco por causa do reizinho no poder e muito por causa da plebe. O povão obrigou os parlamentares a colocar em dúvida a sabedoria do monarca das Araucárias. Pouco a pouco a corte vai se reduzindo como em votações da Previdência e do reajuste salarial dos servidores. O Rei, para manter seu prestigio aos lordes, tem entregado até as calças. Mas para o povo, ele já está nu.

4 – Em Curitiba, aqui e acolá, pipoca uma rebeldia contra o prefeito por parte da Câmara Municipal. É porque a monarquia não governa sem a fé e Fruet não tem vocação para ateu. Tanto que nos casos do casamento LGBT e na votação do Plano Municipal de Educação foi Fruet que recuou e não a Bancada Evangélica. É aquele negócio, rei não pode titubear. E quando bobeia, os súditos lembram-se de suas obrigações. Foi o que a Câmara Municipal fez duas vezes recentemente. Na última, a Câmara informou que Fruet precisa sancionar o aluguel social aprovado há um mês. Na primeira, via redes sociais, o Legislativo cobrou o Rei sobre cinco pedidos de informação não respondidos. E quando o Legislativo põe a cabeça para fora do manto, são os súditos que ganham.

Por Manolo Ramires
Terra Sem Males

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