Ataque covarde ao acampamento da democracia

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André Machado: Desde o início, nos imputar a imagem de violentos, mas, contraditoriamente, são eles que nos jogam as bombas

Na madrugada que antecede o depoimento do ex-presidente Lula, morteiros foram lançados em direção ao acampamento da democracia, que fica alojado no terreno da Rodoferroviária de Curitiba. Um dos fogos atravessou uma barraca, ferindo no braço uma militante. O ataque foi captado pelos Jornalistas Livres.

Quando jogam morteiros no acampamento dos nossos companheiros e companheiras, ferindo e assustando pessoas, eu só penso que o ódio que eles nutrem é algo pavoroso. Não é possível que se produza absolutamente nada de positivo a partir de tamanha violência.

Durante tanto tempo, os grupos mais reacionários dessa cidade tiveram suas barracas montadas na frente da Justiça Federal, com faixas difamatórias e provocações. Não houve, todavia, nenhuma bomba contra eles, porque rechaçarmos o terrorismo. Mas entre nós e eles há diferenças abismais. Uma delas é o nosso apreço pelos métodos democráticos de construção da sociedade.

Agora, mais uma vez, vimos que nos acusam com veemência daquilo que justamente os caracterizam: buscaram, desde o início, nos imputar a imagem de violentos, mas, contraditoriamente, são eles que nos jogam as bombas. Da mesma forma, nesse processo da Lava Jato, querem nos imputar a imagem de corruptos, mas sabemos bem como agem os falsos moralistas que vociferam contra nós.

Vamos cuidar e proteger uns aos outros, denunciar esse absurdo e continuar a resistência contra o desmonte dos direitos sociais e os retrocessos civilizatórios em curso em nosso país.

Foto: Roberto Parizotti

Porque apoiar Lula

Manifestar apoio ao Lula e repudiar as ações do MPF e do Moro não é aderir a um “Fla x Flu”, como ponderam os jornalistas “isentões”. Isso é ter posição, apenas. Não significa querer queimar ninguém em praça pública, fanatismo ou histeria.

Do nosso ponto de vista, é simples: se não há provas objetivas de corrupção contra o Lula, não se pode criminaliza-lo. Não importa se a “torcida” adversária tem certeza absoluta, nem tampouco o silogismo do MPF ou a convicção do Juiz.

Da mesma forma, para nós, divulgar áudios de grampos telefônicos da Dilma, do Lula, da Marisa e tantos outros petistas, sempre disponibilizados à imprensa de acordo com o calendário político ( eleição, nomeações do governo petista, impeachment, etc), escancara uma posição partidária da tal força tarefa, que curiosamente acusa e julga, da Lava Jato.

Deixar de se posicionar claramente diante a essas questões não significa qualquer virtude a ser lembrada daqui a alguns anos. Pelo contrário, significa passar para a História como aqueles que contribuíram para dar um caráter de normalidade para tamanhos abusos.

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André Machado é presidente municipal do PT de Curitiba
Foto: Jornalistas Livres e Roberto Parizotti

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