Ato nacional pede mais trabalhadores para a Caixa Econômica

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Ato por mais empregados na Caixa. Foto: Joka Madruga

A Caixa Econômica Federal é o banco com o maior número de correntistas no país, responsável e atuante como braço direito do Governo Federal dando suporte financeiro a programas sociais e de infraestrutura. Mas está com déficit de funcionários, enquanto aprovados do último concurso aguardam convocação.

Para chamar a atenção da população sobre a falta de condições de trabalho no banco, causada pelo número reduzido de funcionários, o Sindicato dos Bancários de Curitiba e região integrou, nesta quinta-feira, 06 de agosto, o Dia Nacional de Luta por Contratações Urgentes na Caixa. O ato teve sua concentração na agência Carlos Gomes, uma das sedes administrativas da Caixa em Curitiba.

Concursados coletaram assinaturas para enviar à Dilma Rousseff. Foto: Joka Madruga

“Eu, assim como todos os aprovados, fiz um planejamento de vida em cima desse sonho, desse concurso. Mesmo sendo cadastro de reserva, nós temos por base os concursos anteriores e planejamos a nossa vida em cima disso, e como sempre teve um histórico de muitas convocações, não tem como não criar expectativas, é inevitável isso. Então é frustrante. Mais de um ano o concurso homologado, pessoas que passaram em posições excelentes e menos de 10% do cadastro de reserva, apenas em alguns polos, começaram a trabalhar. É revoltante isso, pra nós é muito frustrante”, desabafa Cintia Vaz. Ela foi aprovada no último concurso, que tem prazo de dois anos e está prestes a vencer.

Cintia Vaz. Foto: Joka Madruga

Cintia lidera um grupo de concursados do Paraná, especialmente em Curitiba e região metropolitana. Eles estão mobilizados diariamente na agência Carlos Gomes, no centro de Curitiba, recolhendo assinaturas em um abaixo-assinado em prol das contratações. De acordo com Genesio Cardoso, diretor do Sindicato dos Bancários de Curitiba e representante dos empregados da Caixa do Paraná nas negociações com o banco, o abaixo-assinado conta com 10 mil assinaturas e a intenção é chegar a 50 mi para levá-lo à presidente Dilma e para a presidente da Caixa, Mirian Belchior, para sensibilizá-las com a situação dos aprovados.

Genesio, durante o ato, explicou que alguns dos aprovados encontram-se numa situação chamada de “geladeira”, que é quando o aprovado no concurso é chamado para levar documentos, fazer exames médicos, e nada mais. Alguns estão há um ano na geladeira e não são convocados pela Caixa.

“Minha esposa passou no concurso, nos testes e até agora nada. Eu quero mostrar minha indignação como cidadão, como brasileiro, pelo seguinte: quando você tem um compromisso com o governo, você tem que cumprir esse compromisso. Quando o governo tem um compromisso com você, ele não cumpre nunca”, expressou-se durante o ato Erickson, marido de uma das aprovadas que aguardam convocação.

Erickson. Foto: Joka Madruga

Ato pede contratações urgentes

Em 2014, a Caixa assinou com o movimento sindical bancário um Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) estabelecendo o compromisso de contratar mais 2 mil empregados até dezembro de 2015. Naquele momento, o banco já havia atingindo a marca de 101 mil empregados. O movimento sindical está mobilizado para que as contratações cheguem a 103 mil bancários no final deste ano, mas a Caixa conta atualmente com 97.975 empregados em todo o país após passar pelo Plano de Apoio à Aposentadoria (PAA).

“O objetivo do ato é sensibilizar a direção da caixa econômica federal para que contrate os aprovados. Por que a gente quer que a Caixa contrate os aprovados? Por três motivos: O direitos dos trabalhadores aprovados; a sobrecarga causada pela demanda; e o compromisso social da Caixa Econômica com o povo brasileiro”, resume Genesio Cardoso.

Genesio Cardoso. Foto: Joka Madruga

O movimento sindical bancário atua, também, na defesa dos concursados. “São pessoas que se dedicaram, estudaram passaram num concurso com mais de um milhão de inscritos. A Caixa aprovou 30 mil, por critérios adotados pela própria Caixa, para futuras contratações, cadastro de reserva por dois anos. Essas pessoas se esforçaram, passaram no concurso e estão aguardando a contratação. Após 1 ano e meio de concurso, a Caixa contratou dois mil concursados, sendo que tem 28 mil concursados preparados e qualificados para trabalhar na Caixa”, expõe o dirigente.

Atuação da Caixa em programas sociais

A Caixa é responsável por diversos serviços do governo federal fomentadores da economia e pelos programas sociais subsidiados, como o Bolsa Família, o PIS, o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), o seguro desemprego, o financiamento estudantil (FIES), financiamento para infraestrutura básica nas cidades como encanamento, esgoto, asfalto, além dos programas de moradia. “A Caixa é o grande braço do governo para as tarefas sociais que tanto o Brasil precisa”, justifica Genesio.

Para Herman Felix, funcionário da Caixa e dirigente sindical, o banco deveria ter o dobro de funcionários no país. “Basicamente todos os programas sociais do governo são feitos e executados pela Caixa Econômica. De moradia popular principalmente. Na realidade se a gente fosse colocar na ponta do lápis, não teria que ter 100 mil funcionários, teria que ter 200 mil. Para ampliar de verdade os serviços que a Caixa faz, que começou de verdade no primeiro mandato do Lula, quando estava sendo desmontada, ela veio crescendo. Agora com o governo da Dilma, principalmente no segundo mandato, ela está dando muito mais atenção para a parte econômica que para o social. Então 200 mil funcionários para a Caixa. Seria uma campanha linda”, defende Herman.

Herman Félix. Foto: Joka Madruga

Alessandro Garcia, o Vovô, que é funcionário do Banco do Brasil, defende que a Caixa é estratégica para o governo federal porque todos os programas sociais, que os outros bancos se negam a fazer, são executados exclusivamente pela Caixa.  “Você vê as agências da Caixa hoje entupidas de clientes. O atendimento é precário, está adoecendo os trabalhadores da Caixa, cada vez mais as pessoas estão se afastando do trabalho e você vê os funcionários da Caixa se aposentando sem ter nenhum tipo de reposição”, conclui.

Alessandro Garcia. Foto: Joka Madruga

Confira mais fotos deste evento aqui.

Reportagem e fotos: Joka Madruga
Edição de texto: Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males

 

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