Bolsa mansão no Pinga-Fogo

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Por Manoel Ramires
Terra Sem Males

Economia “salva” Temer

Michel Temer não pode errar na economia. No resto, pode errar em tudo e ad eternum. Essa tem sido a posição dos capitalistas e da grande mídia sintetizada na capa da revista Veja: “Aplausos na economia e suspeitas na ética”. Ou seja, o sucesso de um compensa as falhas no outro, mesmo que essas falhas, no caso do governo afastado, eram crucificadas exaustivamente. É a corrupção seletiva.

Na atual conjuntura, pouco importa que em 35 dias três ministros caíram por causa de acusações na Lava Jato. Tampouco é indiferente que outros tombem brevemente pelo mesmo motivo. O dado que interessa é a capacidade de Michel Temer de aprovar um rombo de R$ 170 bilhões, muito acima de Dilma, para pagar as custas do golpe. Se fosse Dilma, era o caos. Com Temer, é liderança.

Notáveis medíocres

A diferença entre a economia e o resto do universo também passa ao largo pelos jornalistas e analistas políticos no governo interino. Prova disso que na era Temer ele fechou ministérios, mas não gerou economia, como afirmam os apocalípticos contra o Estado. O interino fechou e reabriu Ministério da Cultura, tentou golpe e perdeu na EBC, congelou (via ministro da justiça) todas as ações voltadas para direitos humanos, tratados de migração e ainda nomeou para dentro do ministério dos esportes o dono do helicóptero com 500 quilos de cocaína. São todas ações de notáveis mediocridade, mas que são anuladas porque na economia e, principalmente no Banco Central, os representantes são executivos ou acionistas de bancos privados. São esses notáveis que vão decidir taxas e juros que podem maximizar os lucros, independente da ampliação de miseráveis.

Cortes e saltos

Temer acerta até onde erra. É certo que a crise está sendo combatida cortando recursos do povo na saúde e segurança. Os cortes, reprovados pelo povo, pois aumentam sua falta de assistência, fazem parte do receituário neoliberal. Entre remédio amargo para o povo e dose certa de capital, ele fica com o último. O exemplo sintomático disso está no Rio de Janeiro, onde, para realizar os saltos e piruetas das Olimpíadas, o governo estadual deixa que o povo “se vire nos trinta”. Postura aprovada por Temer, que aceitou o “estado de calamidade pública” para liberar sem licitação e sem aprovação da assembleia legislativa  R$ 3 bilhões para terminar as obras dos jogos. Isso é um prato cheio para a corrupção e contra a transparência. É o dopping financeiro relativizado.

Pela minha mãe

O espetáculo da votação do impeachment não saiu barato aos cofres públicos. De acordo com dados obtidos pelo Livre.jor, os custos da Câmara Federal com pagamento de horas extras dos funcionários nas sessões de e encaminhamento do impeachment chegam a R$ 3,5 milhões. Deste valor, “a casa arcou com R$ 3.264.434,27 milhões em horas extraordinárias para os efetivos da Câmara, e R$ 188.815,34 para os empregados com Cargos de Natureza Especial (CNEs)”. Após a votação, o deputado federal Eduardo Cunha foi afastado pelo STF. Mesmo não sentando na cadeira da presidência, ele ainda manda no lugar e recebe R$ 500 mil para ficar em casa. Quer dizer, antes da justiça pedir o bloqueio de suas contas.

Bolsa mansão

A crise é para os mais pobres. Deles pode se cortar na carne sem dó. Tanto que Michel Temer decidiu não pagar o reajuste de 9% no Bolsa Família – repondo a inflação – aprovado pelo governo Dilma. 13,9 milhões de famílias deixam de receber por causa de R$ 1 bilhão nos cofres públicos. Por outro lado, o reajuste do judiciário, aprovado por Temer, custou R$ 56 bilhões, como afirma Dilma Rousseff: “Para o povo pobre, R$ 1 bilhão é muito; para os ricos, R$ 56 bilhões é pouco. É esse o governo da desigualdade, da mesquinharia com o nosso povo”.

Rouanet Blasé

Ao acabar com o Minc, Temer e sua equipe diziam que o governo do PT estava aparelhando a cultura nacional. Pois bem, na lista dos maiores beneficiários da lei (liberal) que gera isenção de impostos estão o grupo Globo e o banco Itaú. Gente que passa fome. Os Marinho captaram R$ 178 milhões com quarenta projetos. Até Fernando Henrique Cardoso entrou na brincadeira. Seu instituto, o iFHC arrecadou R$ 14 milhões.

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