Bom, bonito e barato: “Não se sacia a ânsia de ser feliz pelo consumo”, afirma Ciro Gomes

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Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males

O ex-ministro Ciro Gomes esteve em Curitiba na noite deste sábado, 13 de agosto, participando do GT Estado do Circo da Democracia, e traçou uma linha histórica abordando as conjunturas política e econômica do Brasil, com o objetivo de mandar um recado: “Precisamos entender o que está acontecendo e nos preparar para o dia seguinte”.

“Nossa economia política está errada”, iniciou sua fala. “O neoliberalismo é uma perversão ideológica anunciada como boa”. “Todos nós estamos induzidos a buscar a felicidade no consumo, que jamais alcançaremos. A comunicação do consumo é a única que se globalizou”. Ciro Gomes falou sobre o acesso ao crédito pelo povo, sobre as três vertentes que viabilizaram o golpe e sobre como a população deve ter acesso às informações para se preparar “para o dia seguinte”.

“A felicidade pelo bom, bonito e barato foi globalizada pela TV e pela internet”. Ciro explicou sobre como o câmbio afeta a vida da população e que somente aqui no Brasil o crédito é disponibilizado como moeda de troca para acesso a bens. “As Casas Bahia e o Ricardo Eletro não são vendedores de eletrodomésticos, são bancos”. Ele afirmou que somente aqui a pessoa vai comprar uma geladeira, paga três mas não se importa com isso, porque nunca teve uma geladeira. E esses empresários reduziram a parcela num valor que pode ser pago. “Em nenhum lugar do mundo você parcela em dez vezes sem juros no cartão de crédito. E se você empresta mil reais, na hora de pagar o valor é menor, porque a taxa de juros em todo o mundo é negativa. E aqui no Brasil é 14,25%”, compara.

Fragilização do país

Para Ciro Gomes, três fatores culminaram na fragilização de governo Dilma: primeiro, a percepção real da crise internacional foi escondida do povo com subsídios a grandes oligopólios através de subsídios fiscais. “Nós quebramos, igualzinho aconteceu em 1998. Precisamos retomar o processo de industrialização brasileiro”. O segundo aspecto foram as consequências do desequilíbrio da conta externa na vida doméstica pela taxa de câmbio. “Mudou o patamar de renda da população. Porque o povo não compra dólar, mas compra remédio, que vem todo do estrangeiro; o preço do pão sobe, a passagem do ônibus sobe”, analisa. Isso legitimou a inflação como problema a ser combatido com taxa de juro, mas é uma falsa inflação, uma inflação de câmbio.

Fomentadores do golpe

Ciro Gomes afirma que três grupos se organizaram pela negação do governo Dilma e o que ela representa: primeiro, o que ele chama de “sindicato de políticos querendo o fim da Lava Jato”; o setor financeiro, concentrado em São Paulo; e, o mais sofisticado, “Temer é informante dos órgãos de vigilância norte-americanos”, visando eliminar a ideia do pré-sal e revogar a lei de soberania do país sobre a Petrobrás. Mas para ele, a criação dos BRics foi fundamental, um banco maior que o FMI. “Os países dos Brics são consumidores de R$ 3 bi de bocas, permite sonhar o céu como limite”, exemplifica.

Democracia participativa

Ciro Gomes contou que na época da constituinte, ela foi organizada para ser parlamentarista, mas Sarney fez um acordo para uma Constituição presidencialista. “Precisamos dar um passo a frente para a democracia participativa”.

“Não se sacia a ânsia de ser feliz pelo consumo. O que gera violência não é a pobreza, é a ansiedade de possuir símbolos de ascensão social”.

Confira 13 fotos de Ciro Gomes no Circo da Democracia em Curitiba.

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