Casa da Democracia inaugura programa e a primeira entrevistada é Carmen Foro, da CUT Nacional

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Funcionando desde quinta-feira, dia 26 de abril, o espaço “A Casa da Democracia” organizada em uma casa a 100 metros da Vigília Lula Livre, tem o objetivo de oferecer estrutura e reunir as mídias independentes e coletivos de comunicação. Além disso, terá uma programação especial sobre comunicação, conjuntura e cultural. Neste sábado, 28 de abril, teve início o programa de entrevistas “Democracia em Rede”, trazendo como primeira entrevistada Carmen Foro, mulher, negra, trabalhadora rural e vice-presidente da CUT Nacional. Todas as segundas-feiras, às 14h, o programa acontecerá sempre com convidados(as) especiais entrevistados pelos jornalistas.

Sob o impacto da noite anterior, em que o Acampamento Marisa Letícia, instalado em área próxima à Vigilía Lula Livre, foi atacado a tiros, vitimando dois acampados, os jornalistas do “Democracia em Rede” de hoje, pautaram suas perguntas iniciais sobre a violência e também a respeito das organizações para o dia 1º de maio, que acontecerá em um grande ato, na cidade de Curitiba, hoje reconhecida como a Capital da Resistência.

Carmen disse que a violência cometida contra o Acampamento Lula Livre não é caso isolado e junta-se aos tiros contra a Caravana de Lula e ao caso Marielle, por exemplo, que levou à morte a vereadora do PSOL, caso ainda não solucionado pela polícia. “Temos uma polícia partidarizada, o poder público, neste caso aqui, do Acampamento, totalmente omisso. Portanto, o que nos resta é divulgar para além das mídias que tem lado. É muito simbólico no que se refere a hostilidade à defesa da liberdade e direitos, este atentando ter acontecido três dias antes de uma grande mobilização com pessoas de todo o país, em virtude do 1º de maio”.

Sobre a importância do acampamento e da cidade de Curitiba ser hoje a Capital da Resistência, a vice-presidente da CUT, relatou que a emoção toma conta dela toda vez que retorna à cidade e vê o Acampamento como uma nova forma de organização sendo exemplo e inspirando todos os movimentos do Brasil inteiro. “Chegar aqui e ver toda esta organização, moradores com espaços cedidos, o afeto entre todos, consciência profunda, doação e principalmente a solidariedade, é de emocionar. Você tem contato com a ideia socialista que nos move. Tenho certeza que esta forma e todo processo organizativo já está nos inspirando nacionalmente a rever nossas formas de fazer política”.

Quando perguntada sobre uma certa ingenuidade de acreditar na justiça brasileira do ponto de vista dos movimentos sociais, disse que apesar de não acreditar individualmente mais na justiça, é preciso ter um horizonte de luta pela frente: “Temos um judiciário partidarizado, que não respeita a Constituição, um Congresso que nos envergonha, mas eu penso que depois disso tudo e como planejamento nosso, precisamos fazer várias reformas. Reforma Política, reforma no judiciário, um novo projeto de país”.

“Congresso do Povo é uma das estratégias para chegarmos a população que não está nos movimentos”

Questionada sobre como a mensagem dos movimentos, organizações e partidos de esquerda tem chegado à população em geral, Carmen afirmou que esta é a grande questão colocada sempre e o desafio permanente. Citou formas de organização coletiva, como por exemplo, o Congresso do Povo, como uma das estratégias em andamento. “Esta questão é o nosso desafio de sempre, parte do nosso pensar: chegar até as pessoas que não estão organizadas. Por isso, coletivamente, temos feito a discussão do Congresso do Povo, que é fazer debate ali na comunidade, na igreja, nos lugares em que as pessoas estão nos seus cotidianos, para fazer a disputa, conquistar corações e mentes”.

Carmen ainda destaca a unificação das esquerdas, lembrando que a Frente Brasil Popular surge neste contexto e para este objetivo. “Sem dúvida alguma esta é a nossa meta principal, chegar em lugares, que muitas vezes a única fonte de informação e comunicação é a Rede Globo, que faz um desserviço à sociedade”.

Por último, falou sobre a importância da organização do dia 1º de maio, em Curitiba, que já vem sendo realizada pelas seis Centrais dos Trabalhadores. “Um primeiro de maio histórico. Podemos ter nossas divergências, mas temos muito em comum, que é a luta pela democracia e a luta pelos nossos direitos”.

Por Ana Carolina Caldas
Foto/destaque Eduardo Matysiak
Terra Sem Males

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