“Catástrofes ambientais implicam catástrofes humanas”, alerta advogado colombiano do Tribunal Popular de La Guajira

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Consequências da extração de carvão na Colômbia e da instalação da siderúrgica TKCSA na Baía de Sepetiba (RJ) para as populações locais são catástrofes humanas

Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males

Em outubro de 2015, a cidade colombiana de Riohacha sediou um Tribunal Popular para expor o desastre ambiental e o genocídio de povos indígenas, afrodescendentes e campesinos de La Guajira, local de extração de carvão que promoveu até mesmo o desvio do rio Rachería para viabilizar o funcionamento da empresa e que teve como consequência imediata a falta de água potável para as populações sobreviverem.

O advogado colombiano Pedro Ávila atuou no Tribunal Popular e contou sobre a mineradora de carvão, de propriedade de três multinacionais, entre elas a BHP Billington, uma das donas da Samarco. “La Guajira teve muitos massacres. As comunidades se reúnem para denunciar mas também para demonstrar esperança”, disse.

O Tribunal Popular foi uma ferramente importantíssima de mobilização. Foram 34 denúncias contra empresas mineradoras por violação de direitos humanos, à vida e aos territórios, que causam contaminação do ar e da terra. “O que ocorre há 40 anos em La Guajira corresponde à geopolítica internacional. As comunidades não podem permanecer passíveis e têm que se articular em toda a América Latina”, convocou. Pedro explicou que a Corte Penal Internacional não vê o genocídio. Ele afirmou que grande parte da extração de carvão vai para países ricos europeus, especialmente a Alemanha, e também aos Estados Unidos.

Além da contaminação da terra, dos rios, das árvores morrendo, as populações perdem seus trabalhos e costumes ancestrais e altera suas condições de saúde.

Siderúrgica em Sepetiba

A palestra “Catástrofes ambientais e humanas”, parte da programação da manhã desta quinta-feira, 25 de agosto, no IV Congresso Internacional de Ciências do Trabalho, também denunciou a situação dos moradores ao redor da siderúrgica alemã TKCSA, que atua desde 2010 como uma “aberração legal”, nas palavras do economista Gabriel Straumtman, do Instituto PACS, Políticas Alternativas para o Cone Sul.

Na região, onde a TKCSA atua sem licença ambiental já atingindo 80% de sua capacidade, os moradores passam pela chamada “chuva de prata”, já que caem em suas casas pó de resíduos da siderúrgica.

 

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