Começou o quarto turno

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Por Manolo Ramires
Terra Sem Males

O relatório do senador tucano Antonio Anastasia foi aprovado por 59 votos a 21. Ele representa um balde d’água fria naqueles que lutam contra o golpe. Faltam 5 votos para Dilma. Sobram 5 votos para Temer. Mesmo assim, é ilusão achar que a direita triunfará nesse processo. Com a consolidação da saída de Dilma no fim de agosto, estará aberto o quarto turno da eleição.

Assim como a direita não aceitou a vitória de Dilma nas urnas, boa parte da sociedade jamais vai aceitar sua saída no tapetão. Nesse sentido, os protestos tendem a se intensificar, as ruas tendem a ficar cheias de gente e de pautas que estão sendo reprimidas.

A partir de setembro, o jogo vira. Aqueles que atiravam pedras passam a ser vidraças e com um agravante: dificilmente terão uma bengala para se agarrar. Tudo aquilo que promoveram se voltará contra si. A crise econômica, a crise política, a crise de princípios. Todas as crises fabricadas ou hipertrofiadas cobraram seu custo.

Por outro lado, aqueles que saem definitivamente do poder têm vasta gama para cobrar os golpistas. A começar pela impopularidade de Michel Temer. 70% da população não o quer. Percentual que buscará sua saída pelos mesmos motivos que cassaram Dilma. Quantidade que deve aumentar quando mais gente perceber o tamanho da fraude que foi aplicada.

O quarto turno também tende a ganhar corpo na medida em que novas revelações de corrupção aparecerem. De pouco adianta Moro, Janot e a grande mídia tentarem abafar as denúncias e revelações, como no caso da Odebrecht. As redes sociais vão martelar na cabeça das pessoas a confirmação de um processo seletivo. Vai ter muita gente com sorriso amarelo rapidamente.

Redes sociais essas que não deixaram cair no esquecimento a blindagem de Eduardo Cunha, os milhões de Temer e Serra. A corrupção do metrô de Alckimin, das escolas de Beto Richa. O #foraPT terá se esgotado, o #foratodos, não.

Para além disso, o quarto turno vai abordar a perda de direitos. Vai combater a iminente precarização da saúde e educação, a alta de impostos, a privatização de setores estratégicos da nossa economia. Mais do que nunca, vai retomar o discurso do padrão de vida dos brasileiros que foi roubado cinicamente pelas elites que nunca se preocuparam realmente com o desenvolvimento da nação. Se de um lado a decepção com Dilma e o PT atingiram seu ápice, de outro, a adoção de uma agenda ultraliberal não foi aprovada nas urnas e a resistência tende a crescer.

O quarto turno está apenas começando para colocar frente a frente aqueles que defendem a plutocracia contra aqueles que querem resgatar a democracia. A história não se escreve em apenas um capítulo.

 

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