Comunicação sindical deve andar junto com trabalho de base

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Sindicatos devem priorizar ideia da base se sentir representada na comunicação

O papel da comunicação na organização sindical foi o tema central debatido por Claudia Giannotti, do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), pela jornalista Carla Marins e por Maisa Lima, da CUT Goiás, nesta quinta-feira, 23, durante o 23º Curso Anual do NPC.

Claudia registrou que para o NPC a comunicação sindical deve ser feita por um tripé que inclui a direção sindical, os profissionais jornalistas e de comunicação e a base, todos com importância igual. “E de que forma a base está representada na comunicação do Sindicato? Essa é a reflexão a ser feita. E, entender a importância da comunicação, passa pelo estudo da classe trabalhadora”.

A coordenadora do NPC citou diversos historiadores que estudaram a comunicação e são fundantes nos estudos para a formação sindical sob esse viés, como Gramsci, Lenin, Marx e Engels. “Eu estou falando de comunicação para transformar a realidade. Aqui somos iguais e revolucionários”, lembrando Vito Giannotti.

Ela encerrou sua fala lembrando que a comunicação tem que ser prioridade e que é preciso trazer os trabalhadores para os sindicatos mas que é preciso dizer para eles que os interesses imediatos são importantes mas os históricos são mais.

Maisa Lima, da CUT Goiás, mostrou uma experiência de comunicação que envolve parceria da central com outros nove sindicatos com o objetivo de disseminar informações para o maior número de trabalhadores. Funciona assim: cada notícia produzida por cada uma das entidades é compartilhada por todas as outras, criando uma rede de compartilhamentos.

Outra tática implantada foi abranger os diferentes meios (rádio e TVs comunitárias, jornais impressos, panfletos) em que todas as entidades também atuam na disseminação das informações produzidas e na distribuição dos impressos nas diferentes categorias. O boletim de rádio é semanal e chega a 164 rádios comunitárias do estado.
A jornalista Camila Marins realizou uma abordagem da luta de classes com recorte de gênero e raça, trazendo como desafio aos sindicatos construir laços de solidariedade de classe nesse processo difícil “que deve ser ultrapassado de forma coletiva”, acredita.

Ela provocou uma reflexão: “Qual a cor da classe trabalhadora excluída da organização sindical?” Ela justificou esse questionamento com dados sobre acesso ao emprego formal e à média salarial de trabalhadores homens e mulheres negras e também com dados de 13 milhões de desempregados (IBGE) e 22,6 milhões na informalidade (PNAD).
Camila alertou que da forma como o modo capitalista de produção avança, em breve os trabalhadores brasileiros viverão um período pós-humano, conceito em que o corpo está totalmente disponível para a produtividade, 24 horas por dia, 7 dias por semana. “As pessoas não vão dormir”.

Para ela, os trabalhadores precisam ter pertencimento identitário dentro dos sindicatos, que são vistos pela base pela lógica utilitarista: “o que o sindicato me dá”. Camila indica a cultura do encontro, que gera solidariedade. E lembra: “a comunicação não é salvadora, ela anda junto com o trabalho de base”.


Por Paula Zarth Padilha
Foto: Annelize Tozetto/Revista Vírus
Terra Sem Males

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