Congresso da CUT-PR reforça a necessidade de luta da classe trabalhadora

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Para trabalhadores, é necessário reagir ao ataque conservador da direita brasileira.

Plenária do Cecut-PR. Foto: Joka Madruga

O 13º Congresso Estadual da CUT (Cecut) é composto por quase 200 entidades, representando cerca de 600 mil trabalhadores no Paraná. O tema deste ano aborda “Educação, Trabalho e Democracia: direito não se reduz, se amplia”. São três dias intensos de oficinas e debates sobre os desafios da classe trabalhadora no estado e no Brasil. Na mesa de abertura, as falas se concentraram na necessidade de a classe trabalhadora enfrentar o ataque conservador que ocorre na política e sociedade. Foram lembrados o massacre dos professores no Paraná, os ajustes fiscais contra os trabalhadores, a censura ao debate sobre diversidade nas escolas, a redução da maioridade penal e a democratização dos meios de comunicação.

A presidente estadual da CUT Regina Cruz abriu o congresso incentivando a unidade de todas as centrais sindicais contra a pauta conservadora que tem crescido no país. Regina destacou a luta contra as terceirizações (PEC 4330) e contra o arrocho feito pelo governo Beto Richa. A presidente ainda reforçou a importância de o congresso definir os rumos do sindicalismo para os próximos anos. “Nós precisamos pensar no futuro, o que queremos para os jovens, para água, para o meio ambimente e os enfrentamentos da classe trabalhadoras”, afirmou.

A crítica ao conservadorismo foi reforçada pelo deputado estadual Tadeu Veneri. O parlamentar reforçou a necessidade de a classe trabalhadora retomar às ruas. Veneri recordou o dia 29 de abril, quando os servidores estaduais foram massacrados pela polícia de Beto Richa. Além disso, ressaltou a importância do dia 12 de fevereiro, quando os professores conseguiram impedir a primeira votação do Paraná Previdência, no episódio em que deputados tentaram entrar na Alep em um camburão. Para o deputado, esses dois episódios mudaram o cenário político no estado: “Aqueles que nos derrotaram na votação estão sendo derrotados todos os dias, como no caso do governador Carlos Alberto Richa, que não consegue ir à padaria sem ser vaiado”, disse Veneri, com o canto de “Fora Beto Richa” ao fundo.

Por outro lado, uma das maiores preocupações é a crise econômica e o impacto na vida dos trabalhadores. Os governantes têm escolhido realizar ajustes que atingem diretamente os mais pobres. Para o economista do DIEESE, Sandro Silva, é necessário reagir. “Nós podemos estar caminhando para uma recessão econômica e isso pode ter reflexo nos ganhos sociais e trabalhistas que tivemos nos últimos anos. Se não houver uma reversão rápida, isso vai impactar na renda dos trabalhadores”, alertou o economista.

Comitê 29 de abril
O presidente da APP-Sindicato Hermes Leão discusou em nome do Comitê 29 de abril. Esse comitê foi criado após a violência policial aplicada pela polícia de Beto Richa e reúne movimentos sociais e de direitos humanos. Hermes destacou os 73 dias de greve e quatro meses incessantes de luta. Ele também criticou os deputados estaduais que retiraram do PEE (Projeto Estadual de Educação) o debate sobre diversidade. “Nós não nos damos conta do desafio que temos. Essa perspectiva está presente no Fórum 29 de abril, que aborda assuntos diversos como o fortalecimento das empresas públicas, do serviço público, o combate as privatizações e a defesa das minoria”, destacou. O presidente do sindicato dos professores ainda reforçou que o avanço da classe trabalhadora só ocorre através da mobilização.

Diversidade e juventude
Rosane Silva, secretária da mulher da CUT Nacional, destacou que o projeto que venceu na urnas em 2014 foi um, mas a política implementa tem sido outra. Muito disso se deve ao Congresso Nacional conservador. “A CUT acerta quando decide focar seu congresso em uma conjuntura desafiadora para a classe trabalhadora. Nesse sentido, temos perdido o debate da igualdade de gênero”, lamentou. Por outro lado, a secretária reforçou a importância de a Corte americana legalizar a união homo afetiva: “Isso é uma vitória mundial”.

Outro ponto que preocupa os trabalhadores é a redução da maioridade. Para Rosane, os maiores prejudicados são os filhos dos trabalhadores: “Quem vai ser condenado é juventude pobre e negra de nosso país. Por isso, os movimentos sociais e jovens devem iniciar uma luta em Brasília e resistir a agenda conservadora”, alertou.

Um desses ataques a direitos ocorreu na semana que passou. As Câmaras Municipais e Assembleias Legislativas do Brasil excluíram dos Planos de Educação menções a gênero e diversidade.  “Nossa luta não é foi em vão. Nós estamos cumprindo rigorosamente nosso papel”, incentivou Liliane Coelho, da Marcha Mundial das Mulheres.

Movimento Negro
Roseli Duarte, da Rede de Mulheres Negras, alertou para a violência contra as mulheres. Para combater, Roseli disse que é necessário aumentar a quantidade de  campanhas e mobilizações. Ela listou todos os atos que foram e serão realizados. Destaque especial para a Marcha 2015 da Rede Mundial de Mulheres. O evento deve ser realizado em Curitiba com o tema “Mulheres Negras e Saúde”.

Democratização dos meios
A classe trabalhadora deve dar atenção maior para a democratização dos meios, como informa o jornalista Pedro Carrano. Ele explica que apenas dez famílias centralizam os meios de comunicação do país, restringindo o acesso e a diversidade de informação. Carrano destacou o PLIP (Projeto de Lei de Iniciativa Popular), a Frentex e a necessidade de os sindicatos participarem da mobilização. “A gente precisa romper com a hegemonia da direita e encontrar alternativas de comunicação popular”, reflete.

Hino
Na solenidade de abertura foram executados o Hino Nacional Brasileiro e da Internacional. Ambos na íntegra, reafirmando a luta de classes e a necessidade de avançar na pauta dos trabalhadores.

Manoel Ramires
Terra Sem Males

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