Conscientização sobre o voto nas eleições de outubro é prioridade para movimento sindical bancário

Colabore com o jornalismo independente, compartilhe.

Conjuntura política e econômica delicada e explicar para os trabalhadores a relação dos retrocessos com a escolha de parlamentares são os maiores desafios a serem encarados por dirigentes bancários

“A gente ainda não deu conta do formato, mas é preciso que os bancários saibam que mesmo uma campanha salarial vitoriosa que mantenha direitos não será suficiente se o voto nas eleições de outubro for em candidatos que aprovem leis contra os trabalhadores”, afirma Junior Cesar Dias, presidente da Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná (FETEC-CUT-PR).

Essa preocupação e priorização de um tema espinhoso, que é encarar de frente a política, os políticos, as eleições legislativas e o voto dos trabalhadores em outubro, tem sua parcela de aceitação pela base: de acordo com resultado da Consulta 2018, pesquisa realizada nos locais de trabalho pelos sindicatos filiados à FETEC, cerca de 90% dos bancários do Paraná querem que os sindicatos divulguem o nome dos políticos que votam contra os trabalhadores.

Em contrapartida, 57% desse público assinalou não saber quais partidos políticos orientaram suas bancadas para votar, por exemplo, contra a reforma trabalhista, contra a lei da terceirização e contra a PEC do Teto dos Gastos públicos, temas que, transformados em leis no ano de 2017, prejudicaram, e muito, todos os trabalhadores e a população brasileira como um todo.

“Nosso desafio é dialogar com os trabalhadores para que eles compreendam que a nossa forma de interferir diretamente é através da escolha de candidatos para o executivo (governo estadual e presidência) e legislativo (deputados federais, estaduais e senadores). São os parlamentares que interferem diretamente na vida de cada cidadão. No preço da gasolina, no preço do feijão. Essas leis interferem nas nossas vidas e quem decide são os representantes que estão lá”, defende.

Junior Dias compreende que a tarefa árdua de se fazer entender sobre a conscientização do voto referente a nomes de candidatos e partidos políticos não diz respeito somente a um indivíduo, como o ex-presidente Lula, considerado preso político por sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos de esquerda, portanto, uma ameaça à manutenção da democracia, ou ao partidarismo relativo ao Partido dos Trabalhadores (PT), ou ainda a afirmação de que o impeachment da presidenta Dilma Rousseff foi efetivado sem comprovação de crime, portanto, um golpe, e que não se trata somente disso. E sim, dos trabalhadores bancários saberem que os banqueiros têm a representação deles no Congresso Nacional, assim como os latifundiários, os proprietários de grandes faixas de terra no país, os donos de indústrias. E os trabalhadores não têm essa representação. “Na votação da Reforma Trabalhista, das 800 emendas apresentadas pelos deputados, cerca de 300 saíram da Fenaban. Quem levou essa vontade dos banqueiros? Essa interferência? Os representantes dos banqueiros nos parlamentos, deputados federais e senadores que fizeram a defesa dessas emendas”, explica.

“O desafio é convencer que a gente precisa eleger candidatos que vão representar os trabalhadores, atuar pela manutenção de direitos e inclusive com a possibilidade de revogar a lei que destruiu a CLT”, reafirma o dirigente. “Não é simplesmente ter sindicato forte que resolve o problema, nós temos que ter representante forte no Congresso. Por isso, a condução da campanha salarial será um pouco diferente neste ano”, finaliza.


Por Paula Zarth Padilha
FETEC-CUT-PR

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *