CONTRAPONTO | Sempre haverá um novo sacrifício

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Por André Machado
Foto: Joka Madruga

Terra Sem Males

Em outubro de 2016, o Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, fez um pronunciamento em rede nacional de rádio e TV. Ele prometeu à nação que a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que instituiu um teto para os gastos públicos pelos próximos 20 anos equilibraria o orçamento federal e evitaria cortes de direitos da população. “É necessário um prazo para ajustar as contas de forma gradual, sem retirar direitos, sem cortar o dinheiro dos projetos mais importantes, aqueles essenciais”, disse o ministro da Fazenda.
 
A verdade, contudo, logo aparece. O próprio PMDB, partido do Temer, lançou na última semana uma campanha publicitária contradizendo a promessa de Meirelles, na qual dizem: “Se a reforma da Previdência não sair, tchau Bolsa Família, adeus Fies, sem novas estradas, acabam programas sociais”. Ou seja, se antes era o congelamento dos gastos sociais que evitaria o corte de direitos e projetos sociais essenciais, agora o governo exige um novo sacrifício ao povo: a aniquilação de seus direitos previdenciários.
 
Mas não vai parar por aí. O governo dirá, logo após sacramentar a reforma da previdência, que a manutenção dos empregos depende agora do povo se submeter a mais um martírio: abrir mão dos seus direitos trabalhistas. Em uma coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira (7), o Ministro Meirelles disse ser “crucial” uma mudança nas leis para liberar as terceirizações e flexibilizar as jornadas de trabalho. Em outras palavras, o trabalhador deve se resignar às regras do patrão.
 
Não faltarão propagandas ameaçadoras, como esta promovida pelo PMDB, buscando convencer o povo de que produzir no Brasil se tornou inviável. Todos os dias o JN noticiará o caso de uma empresa que fechou por aqui, e levou sua produção para o Paraguai ou qualquer outro país com trabalho precário, por conta do “custo Brasil”. Enquanto isso, o atual governo aprova no Congresso todo tipo de cortes de direitos.
 
Virão outros e outros sacrifícios exigidos ao povo, todos em nome de uma prosperidade econômica tão distante dos trabalhadores quanto o baú escondido no final do arco-íris. Com poucas chances de se aposentar, jornadas de trabalho extenuantes, menos direitos e salários reduzidos, e com os serviços públicos definhando nos próximos 20 anos, o trabalhador brasileiro estará submerso em um sistema de exploração extrema e uma absoluta ausência de amparo estatal.
 
A depender do governo, esses projetos vão passar todos de forma acelerada. Mas há alternativa. Os trabalhadores podem impedir esse futuro desolador através de sua mobilização. Mais uma vez, o destino do país estará condicionado à correlação de forças das distintas classes sociais.

André Machado é sindicalista bancário e dirigente do PT em Curitiba. Ele assina a coluna Contraponto para o Terra Sem Males.

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