Crise institucional no Brasil coloca democracia e política como temas fundamentais

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Cotidiano de violências sofridas pelos trabalhadores é abordado em debate do IV Congresso Internacional de Ciências do Trabalho, realizado em São Paulo

Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males

Os temas previstos no Congresso que trata de acidentes, doenças e sofrimentos no mundo do trabalho eram gestão do trabalho, violência moral e impactos do capitalismo contemporâneo na desigualdade e regulação do trabalho. Mas o que de fato mobiliza, deste segunda-feira, 22 de agosto, advogados, economistas, sociólogos e intelectuais participantes é um alerta sobre a perversidade da retomada neoliberal no país, que trará consequências para os trabalhadores, e uma convocação: pela resistência e luta social.

“Vivemos um golpe institucional e a crise coloca para nós os temas democracia e política como essenciais e fundamentais”, afirmou a desembargadora aposentada da Justiça do Trabalho Magda Biavaschi, que coordenou a mesa “O capitalismo contemporâneo e seus impactos na ampliação da desigualdade e na regulação do trabalho”, encerrada na tarde de quarta-feira, 24. A reflexão que ela propôs foi por quanto tempo o sistema capitalista ainda pode sustentar a democracia.

A mesa também foi composta pelo Juiz do Trabalho Jorge Souto Maior, professor da Faculdade de Direito da USP que se identificou como um “militante judicial”, que atua na Justiça do Trabalho com o objetivo dela ser ferramenta de justiça social. “A classe trabalhadora tem o poder do seu destino nas mãos e não vai mais ser enganada por alguém, como eu, que um dia lhe deu esperança no capitalismo”, disse o magistrado, abordando o cotidiano de violências sofridas pelos trabalhadores que ele presenciou em processos e audiências trabalhistas de sua carreira. “O empregador senta-se na sala de audiência confortável com suas ilegalidades”, ilustrou. Falando sobre o cenário atual do Brasil, o magistrado se disse disposto a denunciar a perversidade sofrida pelos trabalhadores. “Estamos sendo punidos com a derrocada total porque o direito do trabalho avançou um pouco”.

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