Crônica: A semana sem fim

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Eu estava ali, com a minha camiseta branca que pede a reforma política, no canto superior esquerdo. Foto: Manoel Ramires.

Para uma semana cheia de desgaste emocional-afetivo pós-atos políticos polarizados, tive uma tarde de formação revigorante. Não é segredo para quem me conhece que sempre fui e sempre me portei como “ovelha negra da família”, algumas vezes fazendo besteiras, adolescente rebelde sem causa. Mas eis que chego aos 32 anos, jornalista formada há mais de dez, mãe depois dos 30 e em 2015 ainda tenho embates familiares.

Fui no ato do dia 13 de março pensando no meu papel de cidadã que acredita neste governo (federal) e também para cumprir minha função social como jornalista, comunicadora e idealista neste projeto tão bonito que é o Terra Sem Males.

Seguindo essa mesma linha de raciocínio, fiquei em casa no domingo 15 de março, dia do ato-verde-e-a-amarelo-da-crise-do-ódio que vocês devem ter observado. Mas não me contive, publiquei alguns pensamentos críticos pessoais nos meus perfis das redes sociais. E o embate virtual com pessoas próximas me causou certo desgaste, já que tive que ler coisas desagradáveis e responder com “você não me convenceu que está passando por uma crise”.

Nesta quinta-feira, 19 de março, tive minha redenção. Ao participar de uma tarde de formação promovida pelo Sindicato dos Bancários de Curitiba com o professor de Sociologia Política da UFPR, Ricardo Oliveira, ele me libertou ao afirmar: “A grande crise é que eles não se sentem representados pelo governo federal”. Eles = mega-empresários. Governo federal = está há oito mandatos consecutivos governando de modo a manter a inflação baixa, o emprego em alta, o crescimento do PIB, investindo em políticas sociais. Com o objetivo de governar para a classe trabalhadora.

Nós vencemos. Nós temos emprego, valorização de salário, acesso à educação de nível superior, condições de viajar, consumir, crédito para comprar um carro, temos o Minha Casa, Minha Vida. Temos o Bolsa Família, o fim da miséria, da fome. Estamos muito melhores que há 15 anos.

E não sou eu quem estou falando. Nos últimos sete dias tive a oportunidade de ouvir dois estudiosos: o professor Ricardo Oliveira (conjuntura política) e o professor Márcio Pochmann (conjuntura econômica). E me mantenho feliz por ser essa ovelha negra que se incomoda que tudo na vida é luta de classes. Mas agora também podemos lutar.

Por Paula Padilha
Terra Sem Males

Em tempo: hoje mesmo saiu pesquisa sobre acordos salariais do Dieese. Em 2014, 91,5% das negociações tiveram aumento real. Ou seja, reajuste acima da inflação.

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