Crônica: Cinco minutos de uma noite de resistência

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Professores contam com a solidariedade para continuar na luta. Foto: Joka Madruga

Numa atitude de resistência, e talvez inspirada no vitorioso acampamento dos professores que foi montado na greve da categoria em fevereiro e março de 2015, em frente aos principais prédios públicos do Paraná, no Centro Cívico, nossos mestres acamparam nas áreas externas da sede da Secretaria Estadual da Fazenda, no centro de Curitiba.

Na noite desta quinta-feira, 21 de maio, estive no acampamento. Foram cinco minutos, mas me pareceu uma noite inteira. Eu senti frio, mas também senti orgulho. Uma emoção sem fim. E pensei se as pessoas percebem a grandiosidade desse ato de coragem. Umas 30 pessoas, maioria mulheres, outras 15 barracas montadas naquele chão gelado. E é pelo coletivo. Pela aposentadoria, melhoria nos salários e nas condições de trabalho de 80 mil pessoas.

Não dá para negar a capacidade de mobilização e apoio da população à causa. A média é de uma passeata por semana, com 20, 30 mil pessoas reunidas e tomando as ruas. Querendo justiça, o reconhecimento de que foi sim um massacre, e que os culpados sejam responsabilizados. Mas no acampamento…

Lá não tem luz nas barracas, os professores e professoras não têm acesso aos banheiros e por isso foram instalados dois banheiros químicos. As condições de alimentação são precárias, os atos de resistência admiráveis.

Durante o dia, buzinaço. E cartazes. Os que eu mais gosto são: Buzine contra o reajuste do IPVA; Buzine contra o reajuste da luz, da água. E a mensagem que fica é: saiba quem de fato está te estorquindo com os reajustes dos impostos, Beto Richa.

Violeiros animam a noite fria dos professores acampados na frente da Secretaria da Fazenda. Foto: Joka Madruga

Faz frio em Curitiba. Nesta noite, uma professora voluntária levou sopa para seus colegas de profissão. Dois músicos tocavam violão e cantavam, também para aquecer, mobilizar, e direcionar aqueles olhares. A luta é de muitos, a resistência é de todos. Hoje teve reunião, não teve proposta. A greve continua. O brilho no olhar também.

* Os servidores públicos estaduais estão em greve há 23 dias lutando por um reajuste salarial justo, que contemple ao menos a reposição da inflação.

Por Paula Zarth Padilha
Terra Sem Males

 

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