Dãzemera

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Por Wilson Ramos Filho (Xixo) | Foto: Daniel Guimarães/ A2img/Fotos Públicas

Barueri, SP. Negro. Chega a PM e começa o espancamento. Na calçada, na frente de todo mundo. Certeza de impunidade. Parentes correm acudir. Tomam bordoadas.

São Paulo, SP. Negro. Covardes como sempre, vários PMs torturam um coitado desarmado. Na delegacia os PMs mentem.

Levaram azar. As duas situações foram filmadas. Quantas ocorrem todos os dias? Irrelevante. Black lives matter apenas em inglês.

Os assassinatos praticados pelas PMs no Brasil aumentaram depois da eleição de Bolsonaro. Os meganhas sentem-se blindados. Os pobres no Brasil morrem mais por violência policial e paramilitar (milícias) que pelo coronavírus.

Como sou esquisito, fiquei uma hora percorrendo as publicações no feice. Não encontrei nenhuma referência aos dois casos. Vi muitas críticas aos esquerdomachos, certezas de que as mulheres derrubarão Bolsonaro, muitas autodeclarações antifascistas e diversas tomadas de posição antirracistas escritas em inglês. Provavelmente porque o algoritmo não me mostra todas as postagens de meus feiceamigos.

Um cachorro mordeu um homem não é notícia. Um homem mordeu um cachorro merece manchete.

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Os espancamentos de pobres e de negros não são notícia. A crueldade da PM foi normalizada. Nenhum dos negros espancados pelos PMs paulistas chamava-se George, Tim ou Mike. Preto pobre espancado pela polícia não importa, dãzemera, doesn”t matter.

Eu não consigo respirar, em curitibanês mesmo.

*Wilson Ramos Filho (Xixo) integra o Instituto Defesa da Classe Trabalhadora.

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