De Moro para Odebrecht

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Terra Sem Males
 
1 – Olha só, já diz o ditado popular que pimenta nos olhos dos outros é refresco. E deleção do adversário político sempre é mais saborosa do que contra os seus aliados. Isso é o império da seletividade que tem endereço na República de Curitiba. Nessa terra, dependendo do freguês, o grampo é divulgado quase ao vivo. Já a listinha só aparece por descuido e via sinal de fumaça.
 
2 – A listinha da Odebrecht, comecemos por ela, que tem o nome de figuras graúdas da oposição e do golpe, foi colhida há um mês. Lá em 22 de fevereiro, na Operação Acarajé. Mas ela dormiu em berço esplêndido, embalada pelo juiz Sérgio Moro, pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. Anotem bem: um mês em banho maria protegendo Aécio Neves, José Serra, Beto Richa e outros líderes da oposição.
 
3 – E neste um mês, mais rápido do que postagem no Instagram, os heróis da nação “conduziram coercitivamente” o ex-presidente Lula e serviram a Delivery todo seu depoimento que no final das contas não dá nem para palitar os dentes. Moro, neste caso, foi The Flash. Claro, a divulgação do depoimento e o sequestro de Lula serviram para fritar o ex-presidente, o governo federal, e alimentar a fome de protestos do dia 13 de março.
 
4 – Não satisfeito com a prisão, Moro serviu gratuitamente toda a conversa entre Dilma e Lula para impedir que o ex-presidente fosse o master chef da Casa Civil. Enquanto isso, a lista da Odebrecht, lembram dela, descansava embaixo do pano. Mas o ímpeto da Lava Jato não aguçou apenas o apetite dos golpistas. A seletividade deu fome de luta para defensores da democracia e causou indigestão no meio jurídico, como o ministro Marco Aurélio Mello.
 
5 – Eis que, instalada a comissão do impedimento, sendo preparada no forno de Eduardo Cunha, no meio do bem casadinho de Michel Temer e José Serra, após Aécio Neves baladeiro ser expulso da festa que organizou, eis que surge a lista de convidados da propina da Odebrecht. Ou seja, pra fritar Lula, Moro é instantâneo, para servir os tucanos, leva mais tempo do que cozinhar barreado.
 
6 – E se não bastasse a diferença da velocidade para vazar informações da Lava Jato, Moro agora quer apresentar duas receitas diferentes de uma mesma receita de bolo. Contra Dilma e o PT, nenhum agente público tem direito a privacidade. Contra a oposição golpista, a propina é “receita de família”. O problema é que a Odebrecht agora quer servir o cardápio de políticos no bandejão.
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