Deixem em paz os salários dos vereadores

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Por Manolo Ramires
Terra Sem Males

1 – É falsa e moralista a polêmica sobre o salário dos vereadores. Ela só serve para desviar foco. Tanto mais quanto querer punir com demissão os assessores de gabinetes. Ao invés de se tentar baixar salários, a população devia se preocupar em conhecer e melhorar a atividade parlamentar, pois se é ruim com eles, muito pior será sem eles.

2 – Aos números. A folha dos vereadores é de 6,4 milhões ao ano. Somadas as folhas da Casa, esse valor salta para R$ 91 milhões. O orçamento de Curitiba passa dos R$ 6 bilhões. Logo, economizar na Casa do Povo, daqueles que – bem ou mal – fazem a ponte com a comunidade e como nichos sociais não é a solução. Ou o melhor é deixar que o cidadão comum resolva tudo no 156, que o prefeito governe na canetada e sem controle? Não sejamos estúpidos, o enfraquecimento do legislativo impulsiona o totalitarismo.

3 – Curitiba, e as cidades, tem problemas maiores. Um deles são os credores do município. Uma conta que passa de R$ 1 bilhão, segundo a secretaria de finanças Eleonora Fruet. Quem são esses credores, quais são os juros, quem contraiu essa conta? Ter respostas para isso, inclusive por meio dos vereadores, é muito mais importante. Como no caso de São Paulo em que Fernando Haddad conseguiu negociar e abater R$ 52 bilhões. Portanto, são esses montantes que travam uma cidade e não o salário dos vereadores e assessores.

4 – Outro dado também divulgado por Eleonora Fruet na Câmara Municipal e que não ganhou as manchetes é a quebra nos repasses federal e estadual. Dos R$ 482 milhões a serem recebidos, só foi feito o repasse R$ 9 milhões em 2015. Aí não a redução da quantidade de vereadores e comissionados que feche a conta.

5 – Não é o caso, para fechar, de se defender vereadores e seus ganhos, e comissionados (muito menos fantasmas) e seus soldos. Pelo contrário, é otimizar a atuação parlamentar para que ela combata os verdadeiros donos da cidade, empreiteiros, empresas de lixo e de ônibus etc, que continuam sacrificando a maioria da população, tendo Casa Legislativa ou não.

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