Deputados debateram solidariedade, turismo e investimento paranaense na Palestina

Compartilhe esta notícia.

Por Júlio Carignano
De Cascavel-PR

Nesta quarta-feira, dia 30 de março, foi lembrado o Dia da Terra Palestina. Como menção a data a Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), por meio do mandato do deputado Chico Brasileiro (PSD), realizou Audiência Pública que debateu a cooperação internacional, solidariedade e estímulo ao investimento e turismo paranaense na Palestina.

O evento contou com uma exposição fotográfica de uma missão brasileira e o ato simbólico do plantio da primeira Oliveira, árvore símbolo da Palestina, em um gesto de irmandade entre os povos e de cuidado com o planeta. A posição unânime entre os presentes, políticos e demais autoridades convidadas, é que a atual situação do território palestino é uma questão de interesse da humanidade, de dissolução de direitos humanos e tratados internacionais.

Chico Brasileiro afirmou que foram três importantes momentos: a celebração ao “Yom al-Ard”, o Dia da Terra Palestina, a exposição fotográfica; e em seguida demos voz aos membros desta importante comunidade no Brasil. “Essa audiência não é um gesto de confronto com o povo judeu, mas sim de solidariedade ao povo palestino. Neste momento de intolerância temos que mostrar nossa cooperação com um estado que tem sua história”, comentou Brasileiro.

Os vereadores Paulo Porto (Cascavel) e Nilton Bobato (Foz do Iguaçu), ambos do PCdoB, foram convidados a relatar a experiência da viagem de sete dias feita em novembro do ano passado. “Vivemos um momento de intolerância, de propagação do discurso de ódio. Diante disso é preciso nos posicionarmos. É um momento de profundo e fecundo aprendizado, não só no que está acontecendo na Palestina, mas também no Brasil com esse golpe que está em curso. Um golpe com elementos fascistas e o sionismo também rima com fascismo”, citou Paulo Porto.

Porto, que também é historiador, fez uma menção a sua volta após a missão de solidariedade. “Quando me perguntam sobre meu retorno se eu continuo apoiando a causa palestina depois do que vi, cito o saudoso Leonel Brizola ao voltar do exílio em 1979, que ao ser perguntado se permanecia socialista após o exílio falou. “Quando fui eu tocava de ouvido, imagine agora que eu sei ler”. Voltei com mais clareza da justiça e de irmandade com este povo”, destacou.

Bobato parabenizou a Alep pela compreensão histórica da necessidade de fazer esse debate. Ele relembrou as dificuldades para transitar entre as cidades e ressaltou que a presença dos militares israelenses em todo o território palestino. “Além do conflito, além da disputa existe um povo. Existe uma nação que quer ser construída. O povo palestino resiste a um genocídio étnico permanente, a um apartheid permanente”, citou.

Para Ualid Rabah, secretário de relações internacionais da Federação Palestina no Brasil (Fepal), a iniciativa da audiência é uma amostra que a Assembleia é uma ‘casa de tolerância’. Ele falou que o cenário histórico é de dissolução de direitos humanos e de tratados internacionais. “A Palestina é um patrimônio histórico, temos Oliveiras de mais de 2 mil anos, Jerusalém tem 5 mil anos. Todas as nossas cidades bíblicas são palestinas, desafio a me provarem ao contrário”, disse Ualid ao falar do incentivo ao turismo religioso.

Para o historiador Fábio Basila Sahd, doutorando da Universidade de São Paulo (USP), a luta pela Palestina é uma luta da humanidade pela consolidação de direitos humanos e contra um projeto colonial. Ele fez um paralelo da luta do povo palestino com a luta dos povos indígenas no Brasil, expulsos das suas terras tradicionais. “O que existe é um racismo institucionalizado, mas não legalizado desde 1967, com prática de violações de direitos humanos, de desrespeito de tratados internacionais e de crimes de guerra”, destacou.

Exposição

Antes da audiência pública, Paulo Porto apresentou a exposição fotográfica “Um olhar sobre a Palestina”, no Espaço Cultural da Alep, como imagens de sua autoria. A exposição é uma narrativa pessoal, uma memória visual da viagem de sete dias à Palestina.

“Eu perguntava insistentemente para as autoridades palestinas como eu poderia retribuir a generosidade e a hospitalidade do povo árabe. Eles então responderam: volte ao Brasil e conte o que você viu. Então isso é uma maneira de contar o que eu vi e tentar de uma maneira singela contribuir para a luta desse bravo povo”, afirmou Porto.

Também participaram das solenidades o deputado Tadeu Veneri (PT), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia, o cônsul honorário da Síria no Paraná, Abdo Dib Abage, o professor Hermes Leão, presidente da APP-Sindicato, e representantes da Paraná Turismo, da Secretaria de Assuntos Estratégicos do Paraná e do Comitê Árabe-Brasileiro de Solidariedade de Curitiba.

40 anos

O Dia da Terra, que completa 40 anos em 2016, refere-se as ocupações israelenses e o confisco de milhares de hectares de terras, especialmente no Triângulo palestino e nas regiões da Galiléia onde viviam a maioria dos palestinos nos territórios  ocupados em 1948.

Em 30 de março de 1976 foi declarada uma greve geral, contra o confisco de terras em todo território da Palestina ocupado em 1948, desde a Galiléia, no norte, até Negev, no sul, e as manifestações se estenderam à Cisjordânia, Faixa de Gaza e aos campos de refugiados. Na oportunidade seis palestinos foram assassinados, centenas de feridos e milhares de presos.

Desde então os palestinos lembram o 30 de Março, o Dia da Terra que unificou os palestinos em defesa de seu território.

anuncio-tsm-posts

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *