Descaso com trabalhadores descomissionados pautou reunião do Sindicato com Banco do Brasil

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Sindicato cobra que Gepes fiscalize realocação de bancários do BB que recebiam verba provisória (VCP)

Simone era uma de sete gerentes que, antes da reestruturação iniciada há 8 meses pelo Banco do Brasil pós-golpe, liderava uma equipe na Agência BB Carlos Gomes, que foi fechada em Curitiba. Ela recebeu uma Verba de Caráter Provisório (VCP) por quatro meses, atua como escriturária e relatou que seu último salário líquido foi de R$ 500.

Na manhã da última segunda-feira, 14 de agosto, dirigentes do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região se reuniram com Aparecida Rainha de Araújo, gerente geral da Gestão de Pessoas do banco (Gepes) do BB, para que ela ouvisse a saga de uma, entre milhares de funcionários que perderam quase tudo com a reestruturação unilateral promovida pelo governo Temer.

“Estamos com vários colegas sem salário, que possuem qualificação, que tinham cargos comissionados por mais de 10 anos, que estão desesperados. Está claro que é estratégia de sucateamento para privatizar o banco, com espaços que serão preenchidos por terceirizados, enquanto milhares de concursados ainda procuram uma vaga para se reestabelecer”, denuncia Ana Smolka, diretora do Sindicato.

A ex-gerente que trabalha como escriturária relatou a saga para tentar uma vaga de realocação, que ainda não veio. Os funcionários que estão em VCP têm prioridade na realocação, mas as denúncias que chegam ao Sindicato são da realização de entrevistas exaustivas e humilhantes, num processo seletivo interno que parece estar sendo utilizado para promover promoções em cadeia entre conhecidos que excluem as pessoas da lista de prioridades.

“Os responsáveis pelos departamentos estão promovendo promoções generalizadas desrespeitando o critério obrigatório de nomear quem está em VCP, que tem prioridade”, contextualiza a dirigente. “Cabe à Gepes, nas suas limitações, minimamente alertas sobre a existência de vagas, divulgar mapeamento diário e fiscalizar essas entrevistas para que pelo menos deixe o responsável por elas incomodado”, declara Alessandro Garcia, dirigente do Sindicato.

O representante da Superintendência Regional Marcio, que foi convidado para a reunião mas não compareceu, foi colocado em viva voz para ouvir os relatos de agências do BB que estão funcionando com somente um gerente geral e alguns escriturários. Nesses locais, o atendimento ao cliente está precarizado, num cantinho da agência, enquanto amplos espaços vazios e escuros compõem o cenário de sucateamento pró privatização. E nesse contexto, quando o gerente vai almoçar, ele trabalha com acesso remoto para conseguir dar conta de demandas que os escriturários não são autorizados a cumprir.

Esse excesso de trabalho com número reduzido de funcionário acaba gerando um efeito em cadeia, com esses bancários tendo que realizar horas extras para cumprir metas estabelecidas por um sistema que não previa o corte nas comissões e a redução do quadro. “O bancário fica sujeito a responder processo administrativo e pode ser punido”, explica Ana Busato, diretora do Sindicato.

A Gepes e a Superintendência pediram a listagem de agências em que isso ocorre para visitarem esses trabalhadores e dar uma resposta ao Sindicato em reunião que foi agendada para o dia 25 de agosto, às 15 horas, na Gepes. Nesta data, os representantes do banco também se comprometeram se posicionar oficialmente sobre as denúncias de humilhação e precarização dos trabalhadores em VCP.

Terceirização

Assim como nova normativa da Caixa, na sexta-feira passada o Sindicato soube que o BB criou a Diretoria de Terceirização. “Esses espaços escuros que criam o vazio e o clima de terror nas agências que foram reestruturadas serão utilizados para o trabalho de terceirizados”, declarou Ana Smolka.

A representante da Gepes afirmou que já foi orientada para promover contratações de menores aprendizes, que seria uma demanda para as agências de varejo, os locais que mais tiveram o atendimento precarizado com a extinção de funções e descomissionamentos da reestruturação.

Simone, por exemplo, que tem 13 anos de banco, declarou que no trabalho que exerce atualmente ela se apropriou das demandas e que até se sente motivada mas na hora que ela assina “escriturária” em algum documento, após mais de 10 anos atuando em diversas gerências, é chocante para ela.

O lucro do Banco do Brasil no 1º semestre de 2017 aumentou 67,3% se comparado ao mesmo período do ano passado. Com a diminuição drástica nas remunerações e o fechamento de 10 mil vagas com o programa de incentivo à aposentadoria, o reflexo foi a diminuição de 1,8% nas despesas de pessoal. Já as tarifas que o banco público cobra dos clientes impulsionou o lucro.

Por Paula Zarth Padilha
Foto: Joka Madruga

Para o Sindicato dos Bancários de Curitiba e região

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