Dilma afirma retorno com realização de plebiscito sobre novas eleições e reforma política

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Por Manoel Ramires e Paula Zarth Padilha
Foto: Joka Madruga
Terra Sem Males

Em uma noite fria e chuvosa, milhares de pessoas receberam a presidente Dilma Rousseff em Curitiba nesta segunda-feira, 08 de agosto. A vinda de Dilma é parte da programação do Circo da Democracia, evento de debates organizado por mais de 100 entidades do Paraná, num picadeiro instalado diante das escadaria do prédio histórico da UFPR.

“Eu resisto. Resistindo, eu luto. Lutando, eu estou com povo em defesa da democracia. Eu tenho essa mania de resistir, mas eu encontro essa força de resistir em vocês”. Essa foi a mensagem final de força e garra de Dilma, após um intenso discurso sobre o golpe parlamentar que ocorre no país. E a cada pausa, o povo cantava em coro: Fora Temer!

A presidente eleita narrou ao povo todos os elementos que ela acredita que sejam a base dessa destruição de seu governo, salientando que as ações não são somente contra o seu mandato, mas contra a democracia.

“O Brasil está sendo dilacerado por um golpe que ainda não se completou. E nós precisamos pará-lo em nome do povo. É preciso nomear os golpistas. Pois dar o nome faz com que as máscaras caiam e a realidade apareça. Primeiro, a mídia oligopolista. Segundo, pela oposição ao meu governo. E pelo capital especulativo e financeiro”, relatou.

Dilma reafirmou que o que caracteriza o golpe é não haver crime de responsabilidade. “Na Constituição temos a previsão de impeachment, que só é possível com crime de responsabilidade. É golpe, pois não houve crime”. A presidente comentou sobre a repressão contra das manifestações #ForaTemer. “Não me surpreende que nos últimos dias tenham prendido pessoas que se manifestam com o ‘Fora Temer’. Esse golpe tem essa característica. Nós podemos falar aqui (no circo), mas não é possível dentro do Maracanã”.

 Dilma desembarcou em Curitiba na véspera de uma decisão sobre o julgamento do impeachment no Senado. É nesta terça, dia 9, que o plenário decide se aceita a denúncia, para um julgamento previsto para o final do mês. “É fundamental que nós tenhamos essa vitória no Senado. Depois disso, eu defendo a realização de um plebiscito que trate de novas eleições e da reforma política. O modelo atual fragmenta a política por causa do excesso de partidos e do toma lá da cá. Nós precisamos superar a crise política para atravessar a crise econômica”.

Ovacionada, a presidente desceu do palco para cumprimentar seus apoiadores.

A noite contou com emocionantes intervenções antes mesmo de Dilma se dirigir à população. A abertura foi feita pela Orquestra Latino Americana da Unespar. A escritora Alice Ruiz foi a primeira da mesa a declarar: “Dilma vai brilhar na história e nenhum deles brilhará”. O encontro também registrou recital de poesias escritas por mulheres de luta pela valorização de gênero, dos povos e da humanidade.

Roberto Baggio, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Paraná, disse que é necessário ampliar o debate com a sociedade, realizar reformar e construir novo bloco político progressista comprometida com o povo. “Estamos aqui porque o nosso projeto é para todo o povo brasileiro.  O circo representa as forças populares contra os golpistas. O circo respira a política, a arte, a cultura e a rebeldia do povo que não aceita Temer”. Baggio destacou que a elite brasileira tem no DNA o golpismo e não suporta o protagonismo do povo nos governos Dilma e Lula.

Regina Cruz, presidente da CUT Paraná, reforçou o apoio à Dilma. “A presidente Dilma Rousseff representa a classe trabalhadora. O governo golpista tem mais de 60 projetos que retiram direitos do povo. Por isso a CUT denuncia esses coxinhas que veneravam o pato da FIESP”.

Essas pessoas que estão aqui se unem ao povo, aos movimentos sociais, as lutas históricas e não ao lado de Ronaldo Caiado, de juiz seletivo, que usurpa a função de acusador”, criticou o jurista Marcelo Lavenère, ex-presidente da OAB. Ele afirmou que a direita tem total conhecimento que esse processo é um golpe, mas que eles não vão recuar dessa intenção. “Em oposição, é necessário lutar com alegria e em busca de manter a honra e dignidade do brasileiro”, afirmou.

Dilma também estava ao lado dos senadores Gleisi Hoffmann e Roberto Requião, da ex-ministra Eleonora Menucchi, da vice-prefeita de Curitiba Miriam Gonçalves, e do presidente da CUT Nacional, o bancário Vagner Freitas.

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