Não é possível esconder as Diretas Já

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O Grupo Marinho se converteu no maior lobista e partido político contemporâneo.                              

Em 1984, no grande comício pelas Diretas Já, eu tinha apenas dois anos. Não tinha noção sobre política (nem sei se faço até hoje) e sobre a cobertura que é feita pela imprensa sobre essas manifestações. Somente muito mais tarde, na faculdade de jornalismo, fui ter perspectiva mais ampla do grande movimento que envolveu o Brasil e de como a grande mídia deturpou os fatos. Era outra época, de calças boca de sino e televisores de tubo em preto em branco. A versão “oficial” era a dada pelo Jornal Nacional ou pelo departamento de jornalismo da Família Marinho.

Passados 23 anos, podemos observar que o modo “imparcial de continuar manipulando os fatos” é seguido pelo grupo empresarial de comunicação. Assim como em 1984, a Globo tomo lado do establishment e contra os interesses do povo. Defende abertamente a renúncia de Temer e um nome que possa continuar as reformas trabalhista e da previdência. Combate – no outro lado – as Diretas Já, que devolve ao povo brasileiro a decisão, pelo menos nas urnas, de qual agenda deve ser adotada no Brasil.

Nesse sentido, não surpreende que todo o Grupo Marinho, passando pelos canais de televisão como Globo e Globonews, jornal O Globo, portal G1 e seus blogueiros noticiem o grande ato no Rio de Janeiro como pela saída de Temer e contra as reformas. No atacado, a emissora não mente. Mas na essência do protesto, deturpa. As manifestações pelas Diretas Já envolvem a saída de Temer pela renúncia ou impeachment, o fim das reformas como está posta e a devolução do poder ao povo. Já a Globo quer aumentar sua plutocracia, defendendo, indiretamente, quem governa o país, aliado aos deputados comprados pela JBS e empresas afins, e estabelecer a agenda do Brasil. O Grupo Marinho se converteu no maior lobista e partido político contemporâneo.

Contudo, ao contrário de 1984, em 2017 a narrativa dos fatos está em constante debate, em incessante luta. As pessoas que participam dos atos também são canais de comunicação daquilo que exigem. Sendo assim, a versão do “noticiário oficial” não dura minutos. Imagina-se que a maioria dos brasileiros, mesmo aqueles que estão cegos, sabem que o ato foi pelas Diretas Já. Dessa maneira, a pauta, assim como a saída de Temer, está introduzida no dia a dia da população.

Medo das urnas

Os eleitores de Lula, Marina, Ciro Gomes, do Psol e até de Bolsonaro querem as Diretas. Quem tem medo das urnas? Os eleitores de Aécio, o PSDB e o PMDB, a Rede Globo, junto com o mercado financeiro.

Parar a Lava Jato

No calor das manifestações de domingo, o presidente golpista Michel Temer rifou Osmar Serraglio. A ideia é aumentar a “influência” sobre TSE e STJ. Traduzindo: parar a Lava Jato. Serraglio mudou de ministério e se manteve ministro. Logo, Rodrigo Rocha Loures segue deputado e com foro privilegiado.

Lava Jato seletiva

A fama do juiz Sérgio Moro despenca a cada dia. Depois de ficar a ver navios na ação de Janot que enquadrou Temer, ele agora absolve a esposa de Eduardo Cunha, Cláudia Cruz. Mesmo com provas dela tendo e gastando cifra milionária na Suíça com dinheiro vindo de corrupção. Moro foi “generoso” com Cláudia.

Então, tá combinado: se você receber depósito na sua conta ou encontrar uma mala com R$ 500 mil, pode gastar. Você é apenas um inocente útil.

Aécio CX2

O senador carioca por Minas Gerais enfim é primeiro em alguma coisa. Foi o protagonista ao identificar caixa 2 com a sigla CX2. Se bem que dizem CX2 ser Chitãozinho e Xororó 2 – ingressos. Em todo caso, a Polícia Federal agradece.
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Manoel Ramires
Pinga-fogo
Terra Sem Males
Foto: Rafael Vilela/ Mídia Ninja

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